Archive for novembro, 2006

Like a dream

“Would you know my name
If I saw you in heaven
Would it be the same
If I saw you in heaven

I must be strong and carry on
‘Cause I know I don’t belong here in heaven

Would you hold my hand
If I saw you in heaven
Would you help me stand
If I saw you in heaven

I’ll find my way through night and day
‘Cause I know I just can’t stay here in heaven…”

Eric Clapton - com o talento que eu não tenho pra dizer exatamente o que eu sinto.

* e olha que eu conheço essa música há um tempão…

Posted by DaniPassos on novembro 30th, 2006 No Comments

Aos meus amigos leitores…

Obrigada pelos comentários. Até agora, foram todos muito positivos e isso faz um bem danado.

Um beijo pra vocês (um pra cada!)

Posted by DaniPassos on novembro 30th, 2006 No Comments

Perigo urbano

Manhã chuvosa em São Paulo.
Você está lá, caminhando tranquilo rumo ao trabalho. Centenas de pessoas caminham junto. Na mesma direção, em sentido oposto ou cruzando seu caminho.
Já passou pela linha vermelha do metrô, aguentou empurrão, cheiro ruim, falta de ar e (incrível!) continua de bom humor.
De repente você vê, no meio da multidão e vindo em sua direção, um guarda-chuva que não se move. Nem pra a direita, nem pra a esquerda, nem pra cima nem pra baixo. Ele vem como se fosse uma toupeira por debaixo da terra, só que, pela calçada, no meio de todo mundo.
Cuidado, porque provavelmente, é um maníaco do guarda-chuva. Existem milhões deles nesta cidade.
Eles não desviam de ninguém. Acertam suas “armas” nos olhos dos outros e não fazem a menor questão de pedir licença, desculpas ou ser politicamente corretos, abrindo caminho para velhinhas, mulheres com crianças no colo ou homens de uma perna só. Podem, inclusive, causar acidentes de trânsito.
São malvados, apressados, egoístas.
E paulistanos, claro.

Posted by DaniPassos on novembro 30th, 2006 1 Comment

"Não me leve ao pé da letra, que essa história não tem pé nem cabeça…"

“Acordei com o pé esquerdo
Calcei meu pé de pato
Chutei o pé da cama
Botei o pé na estrada
Deu um pé de vento
Caiu um pé d’água
Enfiei o pé na lama
Perdi o pé de apoio
Agarrei num pé de planta
E despenquei com o pé descalço
Tomei pé da situação
Tava tudo em pé de guerra…”

Palavra Cantada – um dos preferidos de um certo Pedro

Posted by DaniPassos on novembro 29th, 2006 1 Comment

Tic Tac

… Passa o tempo, bem depressa
Não atrasa, não demora
Que já estou estou muito cansado
Já perdi toda a alegria
De fazer meu tic tac
Dia e noite, noite e dia,
Tic tac, tic tac
Dia e noite, noite e dia…

Posted by DaniPassos on novembro 29th, 2006 1 Comment

Tarde sem inspiração.

Gastei tudo na terapia ontem.

Como é bom fazer terapia. Falar, falar e falar e ter alguém pra ouvir.
Falar da vida.
Falar de amor.
Falar de perda.
Falar de medo.
Falar de sonho.
Falar de crenças.
Falar besteira.
Falar de mim.

Eu adoro. E recomendo.

Posted by DaniPassos on novembro 29th, 2006 1 Comment

Impressionante

Impressionante como o cotidiano é insensível.
Como o tempo pode ser carrasco das nossas vontades.
Como o céu continua azul e as estrelas continuam a brilhar.
Impressionante como, além do meu coração despedaçado, tudo continua normal, como se nada tivesse acontecido.
As pessoas conversam e falam mal da vida alheia. Pagam contas e pegam ônibus. Os ladrões roubam. Os telefones tocam. A chuva cai e pára a cidade. Crianças nascem. Coisas caem. Pessoas planejam, pensando ter o próprio futuro nas mãos. O progresso acontece. Os tensos não dormem. Os tristes choram. Os pobres pedem. Pais matam filhos e filhos matam pais. A burrice toma conta. A futilidade faz cada vez mais adeptos.

Tem dia que faz mal pensar. A gente conclui que este mundo é um lixo… e eu, agora, queria estar no outro.




Chega de pensamentos por hoje.

Posted by DaniPassos on novembro 28th, 2006 2 Comments

Escrever

Não há nada melhor para desabafar do que escrever.
Podemos pôr em palavras os sentimentos mais profundos, sejam eles ruins, bons, doces, secretos.
(Daí quem vai ler o que se escreve é outra coisa, mas para mim, é a melhor forma de me expressar.)
Falei isso para minha terapeuta ontem. Como quando preciso falar algo importante a alguém e não consigo, pego uma caneta e um papel e escrevo (ou mando um e-mail, por exemplo). Aí, o pensamento flui que é uma beleza. Sem interrupções, sem “por quê?”, sem “ahn?”, sem nada que atrapalhe eu escrever exatamente o que quero dizer.
Isso é muito bom.
Não que eu não saiba me expressar verbalmente, mas a escrita é mais adequada pra mim, que sou muito sensível, e, dependendo do assunto, logo começo a chorar, perco o rumo e a concentração.

Tenho escrito cartas para o meu filho. Tenho dito pra ele tudo o que sinto com a sua ausência. Embora ele tenha ido embora sem saber ler, aposto que ele entende tudo o que escrevo, que nada mais é que tudo o que eu penso sobre ele, de forma organizada.
Também tenho escrito pra Deus. Ele, com certeza, sabe ler. Tenho pedido por força e fé.
E olha só: Ele tem me ajudado, porque hoje eu sei que vou superar essa perda. Não sei quando, mas vou. É a pior dor do mundo – e que ninguém discuta comigo, mas eu sou forte o suficiente. Principalmente se for considerar tudo o que eu passei pra chegar até aqui.

A tristeza vai me acompanhar pelo resto da vida. Isso é certo. Mas como não há nada que eu não tenha dito ou não tenha feito por ele, já consigo ficar um pouco mais serena diante do luto.

E que falta ele me faz…

Posted by DaniPassos on novembro 22nd, 2006 3 Comments

Coisas que eu quero da vida

- Força.
- Fé.
- Recuperação.
- Serenidade.
- Tempo.

Posted by DaniPassos on novembro 21st, 2006 1 Comment

Questionamento existencial do dia

É possível ser solitário sem ser sozinho?

Posted by DaniPassos on novembro 21st, 2006 4 Comments

Moça com sorriso triste

Todos os dias ela passava pelo mesmo lugar, debaixo da minha janela, pela hora do almoço. Educada, via que eu a olhava e sempre esboçava um sorriso. Sorriso triste.
Depois de algum tempo observando-a, surgiu a curiosidade: por que um sorriso tão triste? Seu rosto expressava de forma delicada que a alegria não existia para ela, e sua alma chorosa saltava aos olhos.
Estava sempre sozinha, com o olhar perdido. Tão jovem, tão bela, tão triste.
Será que não tinha amigos? Que sofria de solidão? Que perdera alguém querido? Eu não sabia. Mas ficava curioso, e sua reserva me barrava qualquer tipo de aproximação. Ela parecia não querer que a perturbassem ou perguntassem coisas que não queria responder.
Por vezes percebia seus olhos cheios de lágrimas, o que não era estranho porque seus olhos também eram tristes… natural que tivessem lágrimas.
Era uma pena que não conseguisse me aproximar. Seu semblante era para mim como uma pintura, e eu gostava de observá-la. Pensei até em segui-la, só para saber o que poderia fazer parte daquele seu mundo, mas não segui. Preferi imaginar se aquele era um traço de sua personalidade. Ou se eu confundia o que pensava ser tristeza com uma expressão natural de seu rosto. Talvez, na vida comum ela aproveitasse momentos de felicidade como todas as outras pessoas, e não era triste como eu imaginava.

Já há algum tempo não a vejo.
Espero que ele tenha transformado aquele sorriso triste numa alma feliz.

Posted by DaniPassos on novembro 16th, 2006 1 Comment

Mãe

Engraçado como a gente dá valor pra coisa besta quando ainda não sabe, realmente, o que é importante na vida.
Pé na bunda, bronca do chefe, disputa no trabalho, metrô lotado, gente mal-humorada, chuva no final da tarde, peso indesejado, mancha de vinho na caríssima camisa de seda, olheiras pela manhã, não ter dinheiro pra gastar em acessórios e blablabla. Tudo bem que certas coisas irritam, mas estragar o resto do dia por coisa pouca nos faz perder um tempo que não volta.
Outro dia li numa revista semanal uma das matérias mais imbecis que já vi: “Mães contam o lado negativo de ter filhos”. Entre outros absurdos citados, algumas frases me chamaram a atenção de forma especial:

“Eu não sabia que ser mãe era comer restos de comida e passar o dia catando brinquedos.”

“Dizem que filhos são um presente enviado pelo céu. Mas ninguém diz que às vezes a gente tem vontade de mandar o presente de volta.”

“Sou uma pessoa superficial porque não me divirto arrumando a mochila de meus filhos ou discutindo com outras mães o conteúdo das aulas na escola. Nesse ponto da conversa, minha mente voa para pensamentos como: qual sapato vou combinar com minha saia?”

Que coisa triste.
Ser mãe, pra mim, foi a coisa mais maravilhosa do mundo. Cuidar do meu filho me proporcionava um prazer imensurável… vê-lo aprender a falar, a mostrar seus talentos, a ter atividade social, a mostrar amor.
Digo “foi” porque hoje não tenho mais meu filho. Amei como poucas, cuidei e dei carinho e dedicação como poucas e agora tenho que enfrentar sua ausência, além de vivenciar momentos como esse em que li essa matéria, ou como quando vejo uma mãe estúpida estapear o filho e chamá-lo de “besta”.
Me pergunto se essas mães idiotas já pensaram na possibilidade de um dia perder seus filhos. Para um acidente, uma doença, um bandido… Acho que não. Ou se pensaram, pelo jeito, talvez sentiram até um pouco de alívio.
Ser mãe é natural. A mulher foi projetada para isso: gerar, sentir o filho crescer na barriga, vê-lo nascer, dar os primeiros sorrisos, os primeiros passos, aprender a dizer “eu te amo”.
A maternidade não é para todas.
Eu abri mão de muita coisa e muitos sonhos pra poder cuidar do meu filho. Nunca bati e nunca, em momento algum, desejei que ele não existisse. Ele era doce, educado, especial, talentoso, vivaz e querido. Sempre foi um anjo. E eu sempre acreditei que o grande motivo por ele ser como era estava no fato de que eu e seu pai o tratávamos com dignidade, disciplina e amor, muito amor. Eu costumava dizer que tinha a idade dele, três anos, porque foi quando ele nasceu que entendi o significado de muita coisa na vida e aprendi o que é amar.
Agora, ser mãe e largar o filho na creche o dia todo, deixar para a babá cuidar e educar, pra mim não é ser mãe.
Ser mãe é dedicar-se, abdicar de certas coisas, viver a maternidade como uma oportunidade de crescer como mulher, de aprender realmente o que é importante na vida. É dar de comer com prazer e paciência, é perceber o quão importante é vê-lo entender uma historinha, é fazer bagunça junto, é dar banho e molhar todo o banheiro dando risada, é se orgulhar ao vê-lo cantando e dançando pra você na festa de dia das mães da escolinha, é sair de casa de máscara de super-herói pra combinar com ele - que sai fantasiado, é ter a casa inteira cheia de brinquedos, é deixá-lo fazer das panelas instrumentos musicais, é assistir aos mesmos filmes dezenas de vezes, é deixar de ver novela pra brincar junto, é dançar, servir de cavalinho, aproveitar o tempo com o filho com alegria e satisfação.
Não é necessário esquecer a vaidade ou os sonhos, mas saber se organizar e viver as coisas com intensidade, cada uma a seu tempo.
Hoje há tantas formas de evitar uma gravidez indesejada, que ler uma reportagem como essa é, no mínimo, chocante.
Fiquei triste por essas crianças, filhas dessas “mães” que não têm o amor que eu dei ao meu anjo. Fiquei triste por saber que há pessoas capazes de pensar que o materialismo e a realização profissional são mais importantes que seus filhos.
E fiquei triste porque agora, além de conviver com a ausência do meu maior tesouro, tenho que seguir com a minha vida e com essa ignorância estúpida de mães que não merecem a chance de conhecer o amor de verdade.

Posted by DaniPassos on novembro 16th, 2006 4 Comments