Mãe
Pé na bunda, bronca do chefe, disputa no trabalho, metrô lotado, gente mal-humorada, chuva no final da tarde, peso indesejado, mancha de vinho na caríssima camisa de seda, olheiras pela manhã, não ter dinheiro pra gastar em acessórios e blablabla. Tudo bem que certas coisas irritam, mas estragar o resto do dia por coisa pouca nos faz perder um tempo que não volta.
“Dizem que filhos são um presente enviado pelo céu. Mas ninguém diz que às vezes a gente tem vontade de mandar o presente de volta.”
“Sou uma pessoa superficial porque não me divirto arrumando a mochila de meus filhos ou discutindo com outras mães o conteúdo das aulas na escola. Nesse ponto da conversa, minha mente voa para pensamentos como: qual sapato vou combinar com minha saia?”
Que coisa triste.
Ser mãe, pra mim, foi a coisa mais maravilhosa do mundo. Cuidar do meu filho me proporcionava um prazer imensurável… vê-lo aprender a falar, a mostrar seus talentos, a ter atividade social, a mostrar amor.
Digo “foi” porque hoje não tenho mais meu filho. Amei como poucas, cuidei e dei carinho e dedicação como poucas e agora tenho que enfrentar sua ausência, além de vivenciar momentos como esse em que li essa matéria, ou como quando vejo uma mãe estúpida estapear o filho e chamá-lo de “besta”.
Me pergunto se essas mães idiotas já pensaram na possibilidade de um dia perder seus filhos. Para um acidente, uma doença, um bandido… Acho que não. Ou se pensaram, pelo jeito, talvez sentiram até um pouco de alívio.
Ser mãe é natural. A mulher foi projetada para isso: gerar, sentir o filho crescer na barriga, vê-lo nascer, dar os primeiros sorrisos, os primeiros passos, aprender a dizer “eu te amo”.
A maternidade não é para todas.
Eu abri mão de muita coisa e muitos sonhos pra poder cuidar do meu filho. Nunca bati e nunca, em momento algum, desejei que ele não existisse. Ele era doce, educado, especial, talentoso, vivaz e querido. Sempre foi um anjo. E eu sempre acreditei que o grande motivo por ele ser como era estava no fato de que eu e seu pai o tratávamos com dignidade, disciplina e amor, muito amor. Eu costumava dizer que tinha a idade dele, três anos, porque foi quando ele nasceu que entendi o significado de muita coisa na vida e aprendi o que é amar.
Agora, ser mãe e largar o filho na creche o dia todo, deixar para a babá cuidar e educar, pra mim não é ser mãe.
Ser mãe é dedicar-se, abdicar de certas coisas, viver a maternidade como uma oportunidade de crescer como mulher, de aprender realmente o que é importante na vida. É dar de comer com prazer e paciência, é perceber o quão importante é vê-lo entender uma historinha, é fazer bagunça junto, é dar banho e molhar todo o banheiro dando risada, é se orgulhar ao vê-lo cantando e dançando pra você na festa de dia das mães da escolinha, é sair de casa de máscara de super-herói pra combinar com ele - que sai fantasiado, é ter a casa inteira cheia de brinquedos, é deixá-lo fazer das panelas instrumentos musicais, é assistir aos mesmos filmes dezenas de vezes, é deixar de ver novela pra brincar junto, é dançar, servir de cavalinho, aproveitar o tempo com o filho com alegria e satisfação.
Não é necessário esquecer a vaidade ou os sonhos, mas saber se organizar e viver as coisas com intensidade, cada uma a seu tempo.
Hoje há tantas formas de evitar uma gravidez indesejada, que ler uma reportagem como essa é, no mínimo, chocante.
Fiquei triste por essas crianças, filhas dessas “mães” que não têm o amor que eu dei ao meu anjo. Fiquei triste por saber que há pessoas capazes de pensar que o materialismo e a realização profissional são mais importantes que seus filhos.
E fiquei triste porque agora, além de conviver com a ausência do meu maior tesouro, tenho que seguir com a minha vida e com essa ignorância estúpida de mães que não merecem a chance de conhecer o amor de verdade.
novembro 16th, 2006 at 13:25
Amiga, vc disse tudo.
A maternidade não é para todas…
Beijos, esteja sempre com Deus!
novembro 16th, 2006 at 16:34
Dani, que lindo! Fiquei emocionada em ler este texto. E concordo com vc: nem todas as mulheres nasceram para ser mães. Eu mesma sou uma delas. Não sei se teria paciência e dedicação necessária para esta “tarefa” que dura a vida toda. Pelo sim, pelo não, opto por ter apenas sobrinhos
Beijos e saudades. Ju
novembro 16th, 2006 at 21:24
Dani,
Infelizmente, cada uma entende a maternidade de acordo com o que ela vivenciou em casa. E, pior, muitas vezes, vivenciam e não transformam em realidade.
Vc é abençoada, acompanhou um anjo e soube iluminar o caminho dele também. Não se entristeça pelas outras … Se entristeça pelos seus filhos. O que será que acontecerá com eles?
Bj grande no coração, Dorô
novembro 30th, 2006 at 0:19
Amiga, você é tudo !
Te amo de montão.
Te admiro d+.
Beijão