Escrever

Não há nada melhor para desabafar do que escrever.
Podemos pôr em palavras os sentimentos mais profundos, sejam eles ruins, bons, doces, secretos.
(Daí quem vai ler o que se escreve é outra coisa, mas para mim, é a melhor forma de me expressar.)
Falei isso para minha terapeuta ontem. Como quando preciso falar algo importante a alguém e não consigo, pego uma caneta e um papel e escrevo (ou mando um e-mail, por exemplo). Aí, o pensamento flui que é uma beleza. Sem interrupções, sem “por quê?”, sem “ahn?”, sem nada que atrapalhe eu escrever exatamente o que quero dizer.
Isso é muito bom.
Não que eu não saiba me expressar verbalmente, mas a escrita é mais adequada pra mim, que sou muito sensível, e, dependendo do assunto, logo começo a chorar, perco o rumo e a concentração.

Tenho escrito cartas para o meu filho. Tenho dito pra ele tudo o que sinto com a sua ausência. Embora ele tenha ido embora sem saber ler, aposto que ele entende tudo o que escrevo, que nada mais é que tudo o que eu penso sobre ele, de forma organizada.
Também tenho escrito pra Deus. Ele, com certeza, sabe ler. Tenho pedido por força e fé.
E olha só: Ele tem me ajudado, porque hoje eu sei que vou superar essa perda. Não sei quando, mas vou. É a pior dor do mundo – e que ninguém discuta comigo, mas eu sou forte o suficiente. Principalmente se for considerar tudo o que eu passei pra chegar até aqui.

A tristeza vai me acompanhar pelo resto da vida. Isso é certo. Mas como não há nada que eu não tenha dito ou não tenha feito por ele, já consigo ficar um pouco mais serena diante do luto.

E que falta ele me faz…

This entry was posted on quarta-feira, novembro 22nd, 2006 at 13:57 and is filed under Coração. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

 

3 Responses to “Escrever”

  1. Kelli Says:

    A Lia uma vez disse uma frase e desde então adotei para mim que é: “mtas vezes me expresso melhor quando as palavras saem de meus dedos”. Acho que é por isso que até hoje ainda faço diário :)
    Força, amiga. Deus tá de olho!
    Bjinhos :)

  2. Dorotéia Says:

    Dan, Dan,

    São lições duras, amargas, que nos ensinam as nuanças do verbo amar. Mas, quem aprende, como vc, exteriorizando, ainda que através da escrita, se fortalece e ama incodicionalmente, com compaixão, com alegria, com serenidade.
    Vc nunca está sozinha, tenha certeza disso.
    Bj grande ;)

  3. Peixoto Says:

    “Mas como não há nada que eu não tenha dito ou não tenha feito por ele, já consigo ficar um pouco mais serena diante do luto”

    E isso é o que realmente importa, JJ. Só isso.

    Bjs

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