Archive for janeiro, 2007

Essa foi ótima.

Trem à tarde, mau-humor, calor, gente demais.

Eu voltava de uma entrevista com um cliente em Alphaville.

Eis que olho ao lado e vejo uma senhora forte, bem forte, de cabelos loiros, batom cor-de-rosa, bermuda branca, pochete e diversos penduricalhos espalhados pelo corpo: terços coloridos, colares de contas, mini-bichinhos de pelúcia. Muita coisa mesmo.

Aí, noto sua camiseta preta com uma foto de ninguém mais, ninguém menos que… CHUCK NORRIS! De verdade. Não era foto do Braddock, era do Chuck norris, ator, lindão, ruivo com cavanhaque.

Até aquele momento não tinha visto nada demais. De repente, percebi que havia algo escrito embaixo da foto. Uma frase que terminava por baixo da pochete, e eu só conseguiria ler se acompanhasse o movimento do trem.

Me esforcei, claro.

Quando consegui, lá estava, como legenda da foto do Chuck Norris, escrito em branco e com letras grandes: RAZÃO DO MEU VIVER!

Ganhei meu dia. Quem disse que a rotina não pode ser divertida?

Posted by DaniPassos on janeiro 30th, 2007 3 Comments

Hoje eu estou triste

Só pra variar, claro.
Meu aniversário passou, eu meio que comemorei e não vi sentido algum nisso. Acho que não era nem hora de ver sentido em aniversário.
O som estava ótimo e não teve parabéns, como eu queria. Mesmo assim, toda hora eu pensava: é meu aniversário. Eu ria, brincava e bebia, mas tudo parecia incompleto.

O último eu passei em casa. Comemos sushi enquanto o Pedro dormia no quarto, cansado que estava da cirurgia para a colocação do cateter pelo qual ele faria a quimioterapia.
Este eu passei num churrasco com cerveja, música e xadrez, cercada por amigos queridos e familiares.

Acontece que minha família está terrivelmente desfalcada.
E eu sinto muita falta do meu filho.

Posted by DaniPassos on janeiro 22nd, 2007 1 Comment

Dicas de etiqueta no metrô (ou no trem)

1 – Se você é mulher, ande SEMPRE de mochila nas costas, mesmo que as pessoas reclamem. É o único jeito de evitar que homens fedidos e covardes consigam encostar o pinto em você. Contra as outras partes do corpo não adianta brigar. O mais fácil (mais fácil mesmo) é desenvolver uma forma de seu espírito deixar o corpo. Tente meditação ou música.

2 – Se você é um homem que adora o aperto do metrô pra se aproveitar da mulherada indefesa, experiemente se encostar em outros homens, ou virar de costas pra outro covarde desses e veja como é agradável. Agora, se você é homem, mas não é covarde, procure sempre ficar de frente para as portas, os canos de segurança, bolsas ou outros homens, sei lá. Se vire, mas não encoste seu pinto em ninguém que não possa se defender.

3 – Se você é um ser humano comum, que exala cheiros e líquidos que no mundo todo só não incomodam a você mesmo, tente um banho. Ou dois! Não é difícil. E por favor, procure fechar a boca e não tossir no cangote alheio.

4 – Se você tem menos de 60 anos, é saudável, tem as duas pernas e não precisa carregar criança no colo, entenda de uma vez: OS LUGARES RESERVADOS SÃO PRA QUEM PRECISA. Aliás, mesmo os que não são reservados devem ser destinados a quem realmente precisa se sentar. O problema é seu se resolveu sair de casa com um salto enorme, está tonta de dor ou com muito sono.

5 - Se você tem mais de 60 anos e gosta de sair de casa, passear, andar de metrô e fazer compras na 25 com sua vizinha que tem hipertensão e inchaço nos pés, evite os horários de pico, porque poucas pessoas lerão essas minhas dicas, e as chances de você ser desrespeitado, ofendido e ter que ficar em pé por oito estações porque o povo é mesmo, muito mal educado, são enormes.

6 – Se você está na Sé, no meio daquele turbilhão de pessoas prontas para embarcarem no próximo carro da linha vermelha às seis da tarde numa quarta-feira, fuja daquela vozinha que diz direto para o seu cérebro: “você é um cavalo!” ou “você é um elefante e está entre uma manada de iguais!”. Você NÃO É um cavalo, você NÃO É um elefante e quem está na sua frente NÃO MERECE ser atropelado por um estouro de animais.

7 – Se você está para entrar no carro, pense na única coisa que a aula de física lhe deixou: “Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”. Ou seja, é ÓBVIO que é preciso esperar passar quem tem que sair para então entrar, não o contrário.

Posted by DaniPassos on janeiro 17th, 2007 4 Comments

Segunda-feira de manhã.

Há alguns assuntos que rendem discussões homéricas em qualquer situação. Sabe aqueles papos em que a gente acha melhor não se meter?
Pois é.
Hoje ouvi a seguinte frase: “…eu avisei pra ele que Deus castiga! Eu avisei!…”.
Complicado, não? Esse é o tipo de papo no qual é difícil entrar, mas que no momento em que a gente toma conhecimento (mesmo involuntariamente, como foi o meu caso), já formula um argumento pra rebater.
Quando ouvi essa frase a probabilidade de eu dar um palpite era de 0%, porque eu estava no trem, duas senhoras conversavam ao meu lado e eu não tinha, absolutamente, nada a ver com aquilo. O problema é que eu penso muito.

Que história é essa de que “Deus castiga”? Por favor.
Deus não castiga ninguém.

A religião é um negócio tão absurdo que as pessoas não param pra pensar nas contradições que lhes são impostas. Se Deus é amor, como ele castiga? Se Deus nos deu o livre-arbítrio, que direito tem Ele de castigar? Se Deus é o início e o fim de todas as coisas, nossa vida está nas mãos d’Ele e tudo acontece porque Ele quer, como pode castigar pelas coisas que fazemos (já que Ele “controla” tudo)?

Deus não castiga. Cada um de nós está aqui para cumprir uma missão, e se ela precisa ser cumprida, duvido que Deus seja empecilho. Isso é desculpa de quem não acredita no próprio poder de mudar as coisas e de superar os obstáculos da vida.

Deus só olha por nós. Não pode intervir em nada, pois nos deu liberdade de fazer as próprias escolhas, não pode fazer nascer nem morrer, porque isso nós fazemos sozinhos.
Está lá, mas só observa.
Será que há pessoas que acreditam mesmo que uma menina de 10 anos engravida porque Deus quer? Que crianças lindas e inocentes são vítimas de doenças devastadoras porque Deus quer? Que a terra afunda e engole pessoas porque Deus quer?
Não. Há coisas que simplesmente acontecem. Por descuido ou precocidade, um erro da natureza ou de uma célula defeituosa que se desenvolveu onde não devia, um cálculo mal-feito.

Tem gente que acredita que um é rico e outro é pobre porque Deus quer.
Eu acredito que é porque o ser humano é burro.

Tem gente que acredita que os sonhos existem só para serem sonhados.
Eu acredito que sonho é projeto.

Tem gente que acredita que as coisas só darão certo se Deus quiser.
Eu acredito que depende de cada um ter sucesso nas próprias realizações.

Tem gente que acredita que se contestar, se brigar, se xingar Deus castiga.
E eu, acredito em quê?
Acredito que é muito fácil culpar o outro pelos próprios problemas.

Posted by DaniPassos on janeiro 15th, 2007 1 Comment

Pedro e a Música

Pedro era muito ligado em música. Adorava.
Cantava muito, o tempo todo. Gostava de assistir a shows, clipes e dvds. De imitar o cantor, o guitarrista, o baterista. Ouvia seus cds (é, ele tinha seus cds) num aparelho que podia mexer sozinho.
Era um menino musical.
Tinha guitarra, bateria, gaita, microfone.
Organizava verdadeiros saraus onde podia.

Muito disso se devia à influência da avó paterna, que, musicista de profissão, mostrava pra ele músicas infantis de qualidade, que não subestimavam sua inteligência e o faziam desenvolver todos os sentidos. Todos, porque tinha música que falava de comida, tinha música que ele pra dançar, tinha música que ele cantava junto, tinha música em clipes, em livros.

Tudo música.

Fora que a veia musical do pai, que um dia contagiou a mãe antes mesmo de ele nascer e que ele herdou, fez com que desenvolvesse um ouvido impressionante: memorizava melodias com tanta facilidade que matava a gente de orgulho. Escolhia músicas pra ouvir no carro, curtia quase todo rock que mostrávamos pra ele e tinha suas preferidas.

Era fã de Tom Petty, Rolling Stones, Johnny Cash, REM, Susy Quattro, Travis, Paul McCartney e Palavra Cantada.

Pedro era legal pra caramba. Ô molequinho…

Saudade.

Posted by DaniPassos on janeiro 12th, 2007 4 Comments

No escuro

Um dia ela acordou e estava tudo escuro. Não conseguia enxergar nada. Seu quarto, sua cama, seu nariz, nada.
Ao mesmo tempo em que pensou estar sonhando, sentiu uma preguiça absurda e só queria voltar a dormir. Olhou em volta, à procura de algum sinal que a fizesse entender o que estava acontecendo e não viu nada. De repente, percebeu que havia algo bem acima da sua cabeça: um buraco por onde entrava um pouco de luz. Bem pouco, somente o suficiente para ser percebido.
Estava quieta há algum tempo, e embora a situação parecesse perturbadora e aquela luzinha lá em cima convidasse a uma tentativa pelo menos, ela estava tranqüila e não queria sair dali.
De alguma forma sabia que o buraco lá em cima exigiria esforço para ser alcançado. E ela não queria nada. Não tinha vontade de nada. Não pensava em nada e isso a mantinha serena.
Sentia que o esforço a levaria a algum lugar, mas aquela situação a agradava. Não ouvia nada, não via ninguém, não precisava falar e nem fazer nenhum movimento. Aquilo seria o nada? Aquilo que ela desejava há tanto tempo? Aquilo que sua vida triste a fazia querer com todas as forças?
Pelo jeito, sim. E o melhor era ficar por ali, naquele buraco só dela.

Posted by DaniPassos on janeiro 9th, 2007 1 Comment

Oito-ou-oitenta

São meus direitos:

Chorar quando tiver vontade.
Rir quando tiver vontade.
Não levantar da cama se não tiver vontade.
Falar palavrão quando tiver vontade.
Ficar de pijama quando tiver vontade.
Ficar quieta quando tiver vontade.
Não comer se não tiver vontade.
Escrever quando tiver vontade.
Experimentar novidades quando tiver vontade.
Dormir quando tiver vontade.
Não fazer festa de aniversário se não tiver vontade.

Afinal, a vida é minha ou não é?

Posted by DaniPassos on janeiro 8th, 2007 2 Comments

Isso não tem nome

Como entender essa vida?
Numa hora estou sossegada, curtindo o momento e esquecendo dos problemas. Em outra, caio de cama de tanta tristeza. Tenho saudade, sento, choro e me sinto culpada.
Parece transtorno bipolar…
Mas como posso ser culpada? Não tenho culpa de nada, a não ser das conseqüências dos meus atos.
Tenho culpa pela minha dor, por amar demais, e tenho culpa por sofrer perdendo tempo em achar que poderia voltar ao passado e mudar as coisas.
Mas quem disse que a gente escolhe amar demais? E quem disse que eu poderia mudar as coisas?
Vida estranha essa minha.

Sei fiz tudo o que estava ao meu alcance. Tudo e muito mais.

O problema é acreditar nisso quando a dor vem e me arrebenta o coração, que tenta, em vão, juntar seus pedacinhos e viver o que eu tenho pela frente.

Ontem fez três meses.

Posted by DaniPassos on janeiro 8th, 2007 2 Comments

Tarde de silêncio

Engraçado como as pessoas têm que estar sempre felizes e sorridentes, como se não tivessem problemas, dor-de-barriga ou uma puta tensão muscular. Gente triste ou recolhida é estranho. Ainda mais nesta época do ano.

Hoje um amigo perguntou por que eu estou brava esta semana.
Não estou brava. É raro eu ficar realmente brava. É raro alguém me deixar assim. Acho que só meu marido consegue. Coisas de marido. Coisas de mulher.

O que acontece é que às vezes preciso de um tempo só pra mim. Um tempo de recolhimento, reflexão. Pra pensar na vida e nas coisas que me são importantes. Principalmente depois de tudo o que aconteceu.
Agora, como já não tenho uma carinha de muitos amigos, as pessoas pensam que estou brava.

Não é braveza, gente. É reserva.

Posted by DaniPassos on janeiro 5th, 2007 No Comments

2007

Aqui estamos nós.

Mais um ano que vai…
Outro ano que chega, invade, renova, envelhece, aproxima, afasta, acontece.

Não sei o que esperar deste novo ano. Espero que coisas boas aconteçam, porque as coisas ruins que deveriam me acontecer se esgotaram no ano passado.
Então, pelas minhas contas, e considerando a longevidade média do brasileiro, que hoje é de 65 anos, tenho cerca de 40 anos de muita felicidade.

Mas tem que ser muita, muita mesmo. Senão, vou para o céu com crédito.

Posted by DaniPassos on janeiro 2nd, 2007 2 Comments