Amanhã eu compro outro.
Hoje senti vergonha e resolvi escrever sobre isso.
Vergonha dá ibope.
Lembro que sempre fui uma menina detalhista, que prestava muito mais atenção a coisas pequenas do que os outros. Se algo tinha algum problema, eu morria de vergonha. Meu caderno não era da Click? Eu tinha vergonha. Minha mochila não era Risca ou Wagon? Tinha vergonha. Meu prendedor de cabelo era o elástico de uma meia de naylon velha? Eu me desintegrava de vergonha. Como a gente é otário e materialista quando é adolescente, né? Não que eu fosse o mais pobre dos seres, porque não era. Só não esnobava. Mas isso às vezes fazia eu me sentir menor que os outros, ainda mais estudando num colégio de freiras em SP, caríssimo e chique. A gente não era rico, mas minha mãe fazia questão de dar escola boa para nós três.
Àquela época eu tinha uma vergonha profunda dos meus tênis Rainha (aqueles baixinhos, de pano e com solado de borracha amarela), que sempre furavam no dedão. Tive uns três pares, e eles sempre eram aposentados com o mesmo triste e vergonhoso fim.
Atualmente continuo tendo vergonha. Não é mais aquela coisa materialista de antes, mas certas coisas incomodam. A diferença é que hoje, ao invés de brigar com a minha mãe por causa de um tênis ‘de marca’, eu dou risada de mim mesma. E como é bom rir da minha cara. Rá. Só eu sei.
Faz um tempão que preciso comprar um porta-moedas decente. Tenho vergonha do meu, mas é um trequinho tão pequeno e barato que acabo sempre deixando pra lá.
Ele é amarelo, de lona brilhante, com uma estrela verde gigante e o zíper azul. Horrível. Ganhei de lembrança de Natal, véspera de Copa do Mundo, e como não tinha outro, acabei usando. Isso faz dois natais. Vergonha.
Toda vez que abro aquele bagulho sinto meu rosto queimar.
E o cúmulo é que também guardo dentro dele os cartões de visita dos profissionais que conheço, ou seja, preciso tirar aquela coisinha cafona da bolsa toda vez que tenho que procurar o número de alguém.
Vergonha.
Até dentro do ônibus, pagando o cobrador. Juro. Tenho vergonha.
maio 8th, 2007 at 3:40
Acho melhor uma carteira com porta moedas. As minhas sempre tem.
maio 8th, 2007 at 14:03
Meu trauma é de All Star e Bamba. Estávamos conversando sobre isso no fim de semana, as vontades bobas que temos quando adolescentes e que nos fazem criar um monte de complexos desnecessários.
Bjos!
maio 8th, 2007 at 15:01
Hey beibi… Tô tão feliz de ter você assim tão perto…
Lendo seu texto, lembrei do meu pai dizendo “pago escola, porque é a única coisa que nunca vão tirar de vocês”
maio 8th, 2007 at 19:02
Até q fim consegui dar um comentário aki, nunca carrega.
Bem Dani, o q dizer:
Amo ler o q vc escreve, leio tudo tudo!
Bem q eu queria ver uma foto deste porta-moeda. rsrs
Minha mãe tem um q, se tenho q usar, fico com vergonha tb. Ela ganhou de uma malharia. Ele é amarelo, com o zíper vermelho. rsrs
Super fashion!
maio 8th, 2007 at 22:45
Ah q bonitinha! Eu tb tenho umas vergonhas bestas, sou toda complexada comigo mesma, enxergo coisas que ninguém enxerga.
E eu acho o maior barato essas pessoas q são felizes com suas breguces. Eu não abro mão das minhas.rs
Adorei o post anterior tb! A gente não precisa ter medo de nada mesmo, oq a gente leva dessa vida?
Vc me fez lembrar de uma frase q uma mãe sempre grita qdo eu caio: “Relaxa, do chão não passa”…aff hehehe
Beijo
maio 13th, 2007 at 18:37
Vergonha… acho q de escândalo. Me incomoda a beça.