Calma, Daniela.
Ontem fiquei presa no elevador.
Voltava da terapia, eram 22h30, estava no pau da viola e doida pra tomar um banho e dormir.
Chegando no hall do prédio, ouvi umas risadas e quando a porta do elevador abriu saíram 8 pessoas de dentro dele, todos falando pra terem cuidado com o degrau, porque o bichão parou cerca de 20cm mais pra baixo.
Na hora pensei: “Hahaha. Super engraçado. Esse elevador é pra uma carga máxima de 6 pessoas! Por isso ele arriou, suas antas de cadarço cor-de-rosa!”. Bom, só pensei e dei boas noites.
Ignorando minha acertada intuição (herança do meu sangue indígena), entrei no bendito elevador e apertei o oito. Subi, subi e de repente veio o solavanco: blam! Parou. A porta fazia que ia abrir, forçava, não conseguia e fechava. E eu entre o sete e o oito. E os solavancos da porta abrindo e fechando.
Calma, Daniela.
Apertei o alarme e o tio da portaria: “parou?”
Eu: “parou! Tô presa entre dois andares!”
Ele, solícito: “peraí!”
Calma, Daniela.
Não tenho medo de ficar presa em elevador, não sou claustrofóbica. Mas tenho pavor daquele negócio despecar, porra! E se cai? O que eu faço? Pulo na hora do impacto? Prendo os pés de um lado e as mãos do outro que nem um macaco? Afe.
Comecei a ouvir o elevador do lado funcionar, e já imaginei uma equipe de resgate. O porteiro, provavelmente, tinha chamado alguém pra ajudar. Deveria ter alguém, em algum lugar, de plantão para essas situações.
E eu esperando. Já parecia que estava lá há horas. Aí, acho que pra me distrair enquanto esperava entre a salvação e a morte no fundo do poço, o tio ligou o rádio do elevador.
Tocava Djavan. Dei risada pensando: eles deveriam ter um plano de emergência com o nome de cada morador do prédio e sua preferência musical. Se a intenção era me relaxar, conseguiram o contrário: Djavan me estressa.
Esperei mais um pouco, a porta dando solavanco e meu coração acelerado, quando vi o tio abrindo a porta de cima.
Ele: “vixe! Tá parado no meio!”
Eu: “pois é…”
Ele: “vou lá no sete!”
Eu: “tá…”
Não tinha ninguém com ele. Minha vida estava nas mãos do tio da portaria.
Aí ele abriu a porta de baixo, e eu, com a calma de uma monja tibetana, ajudei-o a empurrar a porta do elevador. Abrimos, dei minhas coisas pra ele e me abaixei pra pular.
Ele: “cuidado, pule pra frente!”
Eu: “ah, tá. Chegue pra direita que eu pulo”, toda corajosa.
Ele: “olha o buraco! Se incline pra frente!”
Eu: “ooopa!”
Pronto.
Saí sã e salva e meu coração voltara ao normal. Não graças ao Djavan, mas ao tio da portaria.
junho 6th, 2007 at 18:24
Djavan ninguém merece…
Ficar presa no elevador até vai
otimo feriado pra vc!
bjos
junho 6th, 2007 at 23:09
Questionário:
1) “estava no pau da viola”… o q significa isso?
2) Qual música do Djavan tocou? Não adianta dizer q não lembra q não vai colar, normalmente, qdo odiamos alguma coisa, ela fica colada na mente como um adesivo para ex-fumantes (ugh).
Finalmente: papai do céu castiga mesmo, né? pffff
Bjs de uma Europa tórrida…
junho 7th, 2007 at 11:43
Ah, eu amei a parte do “suas antas de cadarço cor-de-rosa”, eram pattys ou emos??? rs
Eu tb tenho sangue indígena, mas tb tem alemão na mistura daih a minha irmã nasceu com olhos claros e os meus, levemente puxados…rs
A minha intuição tb é mtooo forte, nem me fale.
Achei q vc saiu rápido do elevador, mas poxa vida depender do tioznho da portaria neh? Coitado dele e de vc!!!
Qdo a coisa tah assim preta pro meu lado eu nem choro mais só dou risada e penso “nada é tão ruim que não possa ser pior”… daih saco algum dos meus 3 livros q eu ando na mochila e leio enquanto o mundo despenca ao meu lado…
Ou então leve um mp3/cd-player ou algo do gênero pq nessa vidinha urbana q levamos sempre dependemos de algo, seja do ônibus, do metrô, do elevador… desses sistemas malucos, e é ruim depender assim pq a gente se sente totalmente vendida e se o elevador cair ou o metrô explodir, adiós muchachos!
Beijos
junho 11th, 2007 at 11:19
Tadinha!
eu teria entrado em pânico.
Andei de metrô!!! e quaaase fiquei meio nervosa qd alguem prendeu a porta e aquela coisa ficou parada.
Bjo
junho 11th, 2007 at 22:13
comentário do comentário:
“eram pattys ou emos???”
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHA
(não resisti :$)
junho 12th, 2007 at 1:44
Fico aqui imaginando a sua cara nesta situação… estressada, nem… hehehe