Estou triste e não quero falar. Não quero escrever, não quero pensar.
Se pudesse, tomaria um remédio bem forte pra dormir por meses.
Já faz quase um ano e a sensação não vai embora. É um inferno. Minha memória age como mocinha e vilã da história. Por causa dela tenho a impressão de que tudo aconteceu ontem. Os diálogos, os exames, as situações, os medos, tudo o que eu queria esquecer. Mas sem essa mesma memória perco o que me é mais precioso, que é a memória dele. Só o que sobrou do maior amor do mundo, do sentimento mais lindo que eu senti na vida, da minha melhor experiência. A lembrança do meu filho é minha única riqueza.
Devo ter feito ou sido algo de muito ruim em outra vida pra merecer sofrer desse jeito.
É um aperto no peito que não passa… Relaxo às vezes, mas a pressão não vai embora. Ela dorme, e o vulcão de dor dentro de mim parece que está sempre pronto a explodir e acabar comigo. Lutar contra isso está me obrigando a um esforço sobre-humano. E tem hora, sinceramente, que eu questiono se realmente vale a pena seguir em frente, mesmo tendo certeza absoluta que esse sentimento vai me perseguir pelo resto da vida. Não sei se vale. Não sei se eu agüento. Só sei que a falta que eu sinto do meu filho é maior do que qualquer coisa boa que um dia possa vir a me acontecer. Muito maior. E o buraco que eu tenho no coração vai sangrar pra sempre.

This entry was posted on segunda-feira, setembro 24th, 2007 at 17:27 and is filed under Coração. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

 

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