Haja paciência.
Em mais uma tentativa de conter os crimes na web, Projeto de Lei do deputado Eduardo Gomes prevê a punição com multa para o envio de e-mails não autorizados. De acordo com a proposta, os infratores pagarão até R$ 200 por cada mensagem eletrônica comercial não identificada ou mensagem não solicitada enviadas em desacordo com as exigências da Lei.
(fonte: Risk Report Weekly - http://www.riskreport.com.br/)
Ok.
Agora, será que ninguém nunca pensou em redigir uma lei que considera crime ligar para as casas das pessoas oferecendo serviços que elas não querem comprar?
Pra mim, telemarketing ativo é crime. Sinto-me invadida em minha privacidade quando alguém liga no meu celular pra tentar me convencer a mudar de operadora. Ou quando alguém liga na minha casa oferecendo cartão de banco. Ou assinatura de revista. Ou pedindo colaboração para ONGs.
Odeio isso. Não dou o número do meu celular pra qualquer um exatamente porque não quero que me liguem. Essa deveria ser a máxima a ser respeitada em empresas de call center. Basicamente, se quero que me telefonem, eu ofereço meu número.
(*) Dia desses me ligaram em casa, num sábado, às 9h da manhã. Eu estava dormindo e o telefone gritando. Atendi.
- Bom dia! Por favor a senhora Daniela Passos Figueiredo?
- Sou eu.
- Oi, senhora Daniela. Meu nome é Helena Desirée e sou representante da Blastercard. Estamos com uma promoção especial para a senhora, oferecendo um cartão mil e uma utilidades, que pode ser usado em qualquer estabelecimento autorizado.
- Mnham. Ahn.
- E é uma promoção superespecial. A senhora estará livre de anuidade para o resto da vida! (aqui acho que ouvi aplausos ao fundo)
- Tá, mas não estou interessada. (com a paciência de quem foi arrancada da cama)
- A senhora poderá utiliza-lo em cinemas, teatros, para obter desconto em farmácias, assinatura de jornais e revistas….
- Tá, mas não estou interessada. (já sem a tal da paciência)
- E é sem anuidade. A senhora não pagará nada por ele.
- Tá, mas não estou interessada, amiga. (sem paciência e iniciando a fase cínica)
- Mas a senhora não pagará nada por ele! É de graça.
- Tá. (aí até levantei da cama de novo) Se é de graça, porque tá perdendo tanto tempo tentando me fazer assinar o cartão?
- … É que a senhora terá muitas vantagens ao usá-lo. A cada não-sei-quanto em compras, a senhora ganhará um bônus de tanto. Aí, acumulando trezentos-e-cinquenta-milhões de tantos, a senhora concorre a um mp3 novinho.
- Já tenho mp3. E não quero assinar o cartão.
- Mas mesmo com todas essas vantagens? É sem anuidade… Por que a senhora não quer assinar?
- Hahaha.
- É uma promoção pra clientes especiais.
- Ok. Cliente de quem?
- Da Blastercard.
- Mas eu não sou cliente! E nem quero ser cliente da Blastercard.
- Mas é bom ser. Tem várias vantagens, posto de gasolina…
- Não, obrigada. Vocês têm histórico de chamadas aí, não têm? (já puta, lembrando de todas as vezes que esse povo tapado me deixou com raiva)
- Temos, sim.
- Então, por favor, registre aí que eu não quero mais receber ligações da sua empresa, não quero assinar o seu cartão… como é mesmo o nome?
- Blastercard. O único sem anuidade…
- Blastercard! Pois é. Não quero assinar o Blastercard. Não quero promoção em farmácia, cinema, posto de gasolina e nada. Não queroooooo. Entendeu?
- Sim senhora. Obrigada, bom dia.
- Aff.
Juro que dois dias depois ligaram de novo. Aí TIVE que desligar na cara do Adalberto César antes de dizer um palavrão daqueles que deixam as mulheres parecendo machos peludos.
(*) narração alegórica de uma história real.