Tem hora que eu me divirto
Ontem, um fotógrafo do Jornal da Tarde (que por acaso passava pelo bairro da Luz), registrou a briga acima.
Ontem, um fotógrafo do Jornal da Tarde (que por acaso passava pelo bairro da Luz), registrou a briga acima.
Em uma sociedade tão maldosa e preconceituosa como é a dos Estados Unidos, certas coisas são normais e até esperadas. Tsc, tsc.
Hoje vi uma nota sobre a “polêmica” causada pela foto de capa da última edição da Vogue, na qual figuram o jogador da NBA LeBron James e a top Gisele Bündchen.
O rolo é o seguinte: numa época em que os pêlos do povo americano estão arrepiados por causa da campanha presidencial, na qual é provável que seja eleito o primeiro presidente negro da história do país, a questão racial está mais do que inflamada. Aí, algumas organizações anti-racismo resolveram se manifestar contra a publicação, reclamando que enquanto o cara posa de uniforme, bola de basquete, cara de fúria esportiva e abraça uma Gisele linda (pra variar), maquiada e de vestido de festa, a imagem que a fotógrafa quer transmitir é a de um “King Kong que toma à força a garota branquinha”.
Acho, sinceramente, que isso é coisa de gente que tem o preconceito enraizado além da conta. Claro que não sou ignorante a ponto de não saber nada sobre a história americana e sobre o quanto os negros sofreram para conquistar o que têm hoje, mas acho que enquanto uma dor não é esquecida, é impossível dar um passo adiante.
Eu sou branca e não sei o que é sentir contra mim qualquer ação de preconceito racial e isso, aos olhos de alguns, pode parecer insensibilidade minha. Não é, e quem me conhece mesmo entende.
O que acredito, neste caso, é que quanto mais a gente procura problemas, mais eles aparecem e mais nos incomodam. Não há vida, não há sociedade sem problemas. Todo mundo se amando e se chamando de irmão – com pureza de sentimentos – é uma utopia mais do que burra, que só leva à decepção.
Não achei a foto nem um pouco racista. Se pensarmos bem, o que ela mostra? Um cara, jogador de basquete (da NBA, famosa mundialmente por suas ‘feras’ no esporte), fazendo cara de quem quer dizer “vem pegar a bola, que eu quero ver!” e a Gisele, uma das maiores top models do mundo, fazendo exatamente o que a profissão dela exige: posando sua beleza em um vestido assinado por um grande estilista.
O problema, assim como a arte, está nos olhos de quem vê.
Se a pose fosse diferente, como por exemplo, um de costas para o outro, alguém ia reclamar que isso representa as duas raças se dando as costas. Ou se ela estivesse em cima de um banco e se mostrasse maior que ele, o povo já ia falar que a intenção da fotógrafa é dizer que a raça ariana é superior. Ou até, se ele a pegasse no colo e desse um beijinho, teria gente dizendo que o negro está se rendendo ao seu maior inimigo, porque negro tem que ficar com negra e essa coisa de pegar branquinha é negar a raça.
O que estou querendo dizer é que, quando as pessoas insistem em ver chifre em cabeça de cavalo, fica bem difícil conversar.
Dia desses ouvi falar do Interpol.
Os caras são de NYC e fazem um som legal demais.
Adorei.
Encarnei numa música chamada PDA, que é do primeiro disco deles (já estão no terceiro). Ela é um daqueles sons que me fazem ter um monte de sensações interessantes. No ápice, sinto-me sedada, juro. Com vontade de voar.
Recomendo.
Eu, particularmente, ODEIO ppt. Por isso, peço aos am
igos que, por favor, não me enviem ppts. Se quiserem alguns motivos, listo abaixo alguns bem básicos:O pior de aguentar gente folgada é que certas coisas são tão absurdas que chega a ser constrangedor falar qualquer coisa. Ontem foi assim.
Estava no ônibus, vindo pra casa. Era um modelo daqueles pequenos, com pouco mais de 20 assentos e apenas um para passageiros especiais - este, ao lado do motorista.
Peguei o dito cujo no ponto final (metrô Imigrantes) e segui. Já nos primeiros dois pontos todas as poltronas foram ocupadas, afinal, eram quase 19h de uma quinta à noite.
Quando chegamos no ponto de maior movimento (em frente ao metrô Alto do Ipiranga), várias pessoas já esperavam. Menos que o normal, mas mesmo assim eram mais de dez.
A primeira a entrar foi uma senhora de cerca de 45 anos, forte e muito bem disposta. De cara, sentou-se no único assento disponível: aquele para passageiros especiais. Até aqui beleza, porque se não há passageiros especiais o uso desses assentos é livre.
Depois dela entraram todas as outras pessoas. A última era uma mocinha cega. Quando ela entrava, a mulher sentada no banco especial virou pra trás e falou: “entra lá por trás que é melhor pra você! Alguém leva ela lá pra trás!”. O motorista concordou.
Aí, a garota desceu do ônibus e com ajuda, entrou pela porta de trás.
Eu, que estava no assento bem em frente à porta, levante-me e cedi o lugar. Não por pena, mas porque ela precisava mais que eu e aquela era a poltrona da qual ela poderia sair mais facilmente quando chegasse ao seu destino, uma vez que aquele ônibus costuma lotar e quase que salta gente pela janela.
Ok.
Aí pensei: Por que raios seria melhor pra ela sentar-se aqui atrás? Por que a mulher não cedeu o “trono” ao lado do motorista?
Óbvio que o melhor lugar para um deficiente visual (sei que isso vai contra o politicamente-correto, mas é a expressão que mais define o que preciso contar) é sentado, ao lado do motorista, por motivos relativamente simples:
- localizar-se torna-se mais fácil, pois o motorista é o mais indicado para alertá-lo sobre onde descer.
- mover-se torna-se mais fácil, pois todo o povo fica (mais) apinhado depois da catraca.
- fora a questão da segurança e do conforto.
Enfim. Pensei em chamar a atenção da mulher, do motorista. Fiquei indignada.
Mas, como sempre, minha impotência diante de tamanha cara-de-pau me constrangeu a ponto de eu não falar nada, e a sem-noção da mulher do “trono” nunca vai aprender essa lição de bons modos.
Heather Mills, ex-mulher de Paul McCartney, disse estar ‘muito contente’ com a decisão final do juiz que presidiu a última audiência de um dos mais caros litígios da história. A bonita, que se deu bem, só precisou ficar 4 anos casada com um dos maiores gênios musicais de todos os tempos, ter uma filha e fazer bastante escândalo pra ‘levar’ quase 25 milhões de libras pra casa.
No lugar dela eu também estaria ‘contente’. Mas como não estou, limito-me a dizer que essa pilantra não é digna de nem de um décimo do respeito que a unha do dedinho do pé do Paul merece.
Há algum tempo sou adepta de uma filosofia que eu nem sabia que tinha nome, e muito menos que havia por aí outras pessoas que pensam de forma semelhante.
Esta semana li que um cara lá do Sul do país resolveu criar um clube para defender a idéia e suas boas repercussões pra quem busca qualidade de vida.
Tô falando do “Nadismo”, que eu singelamente chamava de “esvaziar a mente”.
De cara, o nome do bagulho faz rir, e ele é tão simples que dá mais vontade de rir ainda, pois quem toma conhecimento racha o bico e, debochando, reflete: “como não pensei nisso antes?”. Mas depois pensa mesmo.
Enfim. Pensar é o grande segredo, a religião dessa corrente. No entanto o negócio é pensar em nada. Isso mesmo: perder alguns minutos do seu dia (o cara que registrou a idéia antes de mim sugere 45) pensando em absolutamente nada pode contribuir para a diminuição do stress.
Claro que se puxarmos pelo stress e por todos os danos à saúde que ele provoca, seguir o Nadismo nada – com o perdão do trocadilho – mais é que cortar o mal pela raiz.
Não é preciso frequentar igrejas, reuniões semanais ou abdicar dos prazeres da vida para adotar essa filosofia. Basta ter como compromisso, uma vez ao dia, parar tudo o que estiver fazendo e fazer nada. Pensar em nada. Nada, nada, nada.

O FUNDADOR Marcelo Bohrer criou o clube, que tem como marca um cubo branco: vazio
Para praticar, reserve alguns minutos (quem sabe 45?) do seu dia para:
Esquecer os compromissos e curtir o momento sem pressa.
Não se preocupar com o certo ou o errado (o Nadismo não tem propósitos).
Privilegiar o silêncio (principalmente o interno) e a imobilidade.
Tentar não pensar produtivamente. Tentar não pensar em nada.
Garanto que faz bem.
O dia-a-dia social no trabalho é complicado… Tanto que posar de samambaia é ótimo de vez em quando.
Ó, não estou defendendo a passividade e muito menos a inércia profissional, tá?
Falo de fofoca mesmo.
Porque tem hora em que o melhor é ficar quieto. Mudo. Sem emitir opinião, mesmo que nossas intenções sejam as melhores possíveis (”opinião? O que é opinião?” Samambaia que é samambaia não sabe o que é isso. Aliás, quem já viu Samambaia contar história que atire a primeira pedra).
Também tem hora em que o negócio é fingir-se de cego, pra não vermos indiscrições que as pessoas, vez por outra, cometem (”ahn? o quê? nem vi!” Samambaia não tem olho).
Ou ainda aqueles momentos em que se fazer de surdo é, de longe, a melhor política. Se não dá pra deixar de ouvir, pelo menos reserve a memória pra coisas mais úteis, no melhor estilo “deixa pra lá” (às vezes ela parece até prestar atenção ao redor, mas repare bem. Ela só se balança pra lá e pra cá, não ouve nada e não tem cérebro - Samambaia não tem cérebro e não oferece perigo algum. Juro!).
Pra mim essa filosofia tem funcionado, e tenho tido a maravilhosa vantagem de manter-me alheia ao que não interessa. Samambaia total.
Bom senso é tudo, minha gente. Sempre, sempre.