Atendendo a pedidos, segue o post apagado.
“Tenho várias amigas recém-casadas, casadas-de-pouco-tempo e outras prontas-pra-casar. Todas, cheias de sonhos, têm tendência a dar importância demais a certos percalços que aparecem no meio do caminho no início da vida a dois. Por isso, resolvi falar um pouco aqui sobre a minha experiência (sou casada há três anos, dois meses e 12 dias).
O principal aviso que costumo dar é: por mais que os dois se amem e sonhem passar o resto da vida juntos, o primeiro ano casados (ou morando juntos, independentes dos pais) é simplesmente uma M E L E C A. Outra coisa: eu sou totalmente tradicional. Casamento é pra sempre. Entendo que há exceções, mas a única coisa, pra mim, que justifica o fim de uma relação dessas é a falta de amor. O resto a gente tira de letra.
Explico: Vocês se conhecem muito bem, admiram um ao outro, e adoram ficar juntos, dividindo tudo. Ok. Só que isso é coisa de namorado. Namorados, quando brigam ou se densetendem por qualquer motivo, vão cada um para sua casa e têm um tempinho pra pensar sem brigar mais. Agora, quando se está casado, não se tem para onde fugir. Tem sim que dormir na mesma cama, encarar o outro no café da manhã e tentar resolver as coisas em menos tempo, pra tudo voltar a ficar bem logo. Só quando conhecemos o urso em sua caverna é que o conhecemos de verdade. Manias, hábitos e uma criação completamente diferente da sua podem render diversos desentendimentos bem chatos.
Outra coisa importante é sempre valorizar mais o que o outro tem de bom do que seus defeitos. É um saco só ouvir críticas quando sabemos estar fazendo mais que o possível pra tornar o lar um recanto, um lugar agradável. Mesmo as pequenas coisas devem ser lembradas (mais pelo bem que para o mal. Neste caso, é preciso tentar deixar algo pra lá, porque nós também temos defeitos).
Algumas coisas especialmente difíceis são:
- Dividir o quarto (e a cama) com alguém que gosta de ver tv deitado quando você não pode nem com barulho, muito menos com luz na sua cara para relaxar.
- Dividir as contas da casa sem que um dos dois saia perdendo;
- Aguentar a ‘chatice’ do outro reclamando do barulho quando você só quer ver o Jornal da Globo. E depois o Intercine. Ainda mais quando você adora usar a luz da tv ligada de madrugada pra não tropeçar ao ir ao banheiro;
- A falta de entendimento dos homens em relação ao trabalhÃo que dá manter uma casa. Isso além das contas pra pagar. Ainda existe hoje o conceito de ‘trabalho de homem’ - trocar lâmpadas, consertar um chuveiro quebrado; e ‘trabalho de mulher’ - lavar, cozinhar, estender e tirar roupas do varal, passar, limpar, organizar, orientar a empregada, fazer feira, fazer supermercado (isso só pra citar algumas coisas DIÁRIAS), só que, considerando que os dois trabalham fora, isso é inaplicável. Pra ser possível uma relação feliz e saudável com essa idéia antiga, a mulher não pode trabalhar fora. Aí sim…;
- A falta de entendimento das mulheres sobre a necessidade dos homens de uma noite ou duas de cerveja por semana (só com os amigos, afinal, com ela o cara está todo SANTO dia. Ar! O homem precisa de ar!);
- A falta de noção do homem em pensar que já que está todo SANTO dia com a mesma mulher, não precisa levá-la pra jantar, ao cinema ou ficar em casa tomando uma cerveja com ela;
- Aguentar a encheção de saco do outro que te chama de bagunceiro quando é facinho ver coisas dele(a) espalhadas pela casa. Pior: as coisas que ele(a) chama de ‘minha organização’;
- Quando um tem formiga na bunda e o outro é caseiro;
- Suportar o silêncio pós-briga quando você está doida pra falar mais e fazê-lo entender certas coisas que parecem não ter ficado claras (não tem jeito, eu penso com uma cabeça feminina);
- E suportar a mulher falando sem parar quando o que o cara quer é mais ficar quieto no seu canto? Terrível.
Realmente, existe muita coisa. SÓ QUE, se passarmos todo o tempo tentando mudar o outro, logo perceberemos que estamos casados com um estranho. Lidar com as diferenças de forma construtiva é o que realmente faz a essência de um casal. E dividir as tarefas em casa é fundamental. Não é nada fácil, muitas conversinhas despretensiosas viram climão e muita coisa a gente repete, repete e repete, mas é como se falássemos com o vento.
Enfim.
O ser humano tem o costume de valorizar mais o que dá errado, mas há sim, muita coisa boa na vida a dois. Muito (muito, muito) mais até que as ruins, só que é preciso estar consciente disso antes de criar expectativas utópicas a respeito da aventura que é dividir o mesmo teto com a pessoa que a gente ama. Afinal, quanto mais expectativas, maiores as chances de frustração.
Eu, corajosa que sou, SEMPRE vou recomendar o casamento.
Inclusive porque sou um caso de sucesso.”