(piada interna)

Mais uma da igreja católica:
Após espera desesperada dos fãs e dos membros ainda vivos do grupo, piquetes, campanhas, cartas e abaixo-assinados inflamados, o Vaticano resolveu ‘perdoar’ John Lennon (e os Beatles) pela sacrilégica frase:
“Os Beatles são mais famosos que Jesus Cristo”.
Ufa.
Agora sim, John e George estão lá no céu, felizes e satisfeitos com as novas acomodações.
Não adianta.
Por mais que eu tente, arrisque, combine peças de várias formas, não consigo me acostumar a usar “roupa social”. Odeio. Não combina comigo. Porque eu sou stylish.
Juro. Parece que além de me enganar com a pompa corporate, a impressão que eu tenho é de que as pessoas me olham e pensam: “tem alguma coisa falsa aí”. Claro que tem! Eu não SOU assim. Sou de outro jeito.
“Roupa social” não combina com cores fortes, não combina com sapatos estilosos, não combina com delineador debaixo dos olhos. Não combina com o preto que eu adoro usar, porque “roupa social” inteira preta me deixa com cara de corvo. E o visual “stylish-black” é a minha cara. Não combina com o meu cabelo desfiado meio castanho-meio-loiro, não combina com o meu comportamento, não combina com minhas formas carnudas. Porque eu sempre fui além da magreza (e sim, isso é um eufemismo pra “gordinha”), e “calça social”, “camisa por dentro”, cinto, relógio com pulseirinha de couro e coque, definitivamente, me encobrem.
E só eu sei como eu demorei pra me descobrir.
Uh!
Tem dia que eu estou mais dispersa que o normal.
Digo normal porque minha percepção do mundo é um pouco diferente dos outros mortais. Sou uma moça especial. Pelo menos eu acho isso, e é melhor do que pensar que tenho uma doença no cérebro.
Hoje tá assim. Tudo chama a minha atenção e eu não consigo me concentrar numa atividade só. Eu me concentro, mas em várias coisas ao mesmo tempo e parece que não vou conseguir finalizar nenhuma. É como se eu me fechasse no meu mundo junto com tudo o que eu tenho pra fazer, e confiasse somente no silêncio proporcionado por essa “levantada de vidros” pra me fazer concluir alguma coisa.
Mas no fim eu sempre consigo.
Tenho tido alguma dificuldade em dormir por esses dias. Primeiro porque, óbvio, é verão. E verão, pra mim, deveria ser só uma palavra no calendário. Nada de sol, bronze-pedreiro, stuffy days, suor, bichinhos voadores, cheiros acentuados e ar parado. Odeio passar calor.
Aí, se não bastasse o calor insuportável, minhas noites têm sido preenchidas com mais uma coisa que eu detesto: barulho. Odeio barulho, odeio tentar dormir precisando suprimir barulhos chatos e fora-de-hora do meu cérebro. Porque meu cérebro não desliga enquanto existe um zum-zum e isso é foda. Até tento abstrair e de vez em quando consigo (como quando o som rola até altas horas lá em casa), mas barulho chato não dá.
E barulho chato, meu amigo, é barulho de caminhão. Tá louco. E barulho de caminhão de lixo, manobrando, abrindo e fechando aquela bocona que engole as coisas, manobrando, acelerando, freando, dando ré, encostando pra dar tempo do lixeiro se pendurar de novo, tudo de madrugada. MADRUGADA. Duas horas da manhã pra mim é madrugada. Vou mandar uma carta pro prefeito. Onde já se viu? Calor e barulhão não dá.
Eu fico puta.