A estrela que no céu desponta
Resolvi dar nome à minha insatisfação. Ela agora se chama Dalva. Não é aquela insatisfação que faz bem, estimula e faz crescer. É a insafistação consigo mesma, a que torna mais importante a vida alheia do que a sua própria. É algo ruim, claro, que eu faço de tudo pra manter longe de mim, mas que existe e parece que às vezes tira o dia pra me aporrinhar.
A Dalva surgiu na minha vida sei lá como. Será um encosto? De vez em quando ela aparece.
Mas já sei como expurgá-la.
Porque, veja, não há espaço para a Dalva hoje. Eu trabalho tanto, vivo tanto - e tenho tantas coisas a mais para pensar - que o máximo que a Dalva consegue é isso: um comentário no meu blog. É o que basta para ela, é o que a sacia. A insatisfação é estranha, porque uma coisinha qualquer, uma migalhinha pode ser o bastante. Paradoxal? Pois é. Mas a vida não é assim?
O lado bom de nomear minha insatisfação - ou será mesquinharia? baixeza? ou tudo isso junto e mais um pouco? - é que ela assume um tamanho. E vou lhe dizer: é bem menor do que parece. Outra vantagem é que, agora, poderei dar nome ao motorista mal-educado, às vezes em que perco o ônibus, às más amizades, às pessoas que cutucam o nariz. “Ô Dalva!” soa mil vezes melhor que um palavrão.
A Dalva é o que há de mais baixo no ser humano. É insegura, pequena, faz cocô com dificuldade e tem espinha. Cheira mal, tem furúnculo e pêlo encravado na virilha. Ela resume tudo o que o ser humano odeia em si mesmo e na própria vida insossa. É uma hiena. E morre com uma porrada só.
Sou muito mais feliz agora que dei nome pra Dalva.
dezembro 3rd, 2008 at 15:02
Dalva é o nome da minha avó!
dezembro 12th, 2008 at 10:46
Não consigo para de rir!!!