Tem certas coisas que eu não tolero, não adianta.
Violência contra criança eu não tolero. E nem venha me dizer que são só “tapinhas”, porque É VIOLÊNCIA. Na boa, tenho vontade de matar quem eu vejo fazendo isso.
Há diversas formas de se fazer entender, diversas formas de ensinar, de mostrar à criança que algo é errado e de punir. Definitivamente, bater não é educação, é negligência dos pais.
Imagine o novo funcionário de uma empresa. Ele tem um monte de coisas pra aprender e precisa se adaptar ao novo meio social. Já pensou se o chefe resolve “dar uns tapinhas” a cada vez que ele fizer algo fora dos padrões da empresa? Ou “dar um tapinha” pra fazê-lo aprender a pesquisar os arquivos na rede? Ou mesmo “dar uns tapas” pra ver se ele entende que a banda larga não é pra ser utilizada com o YouTube? No mínimo seria estranho, não? Pois é. Agora coloque-se no lugar desse cara e imagine-se levando tapas pra aprender o que o chefe acha que é óbvio…
Pessoas, em se tratando de criança, temos que pensar em alguns fatores importantes:
Ela busca (e espera) conforto, carinho e segurança dos pais;
Ela precisa aprender a se desenvolver;
Sente-se impelida a descobrir coisas novas (e tudo o que a gente já cansou de ver e de saber são supernovidades coloridas, doces, espaciais e brilhantes pra ela);
Criança punida fisicamente desenvolve medo, não respeito;
O que é “tapinha” para um adulto é tapão para uma criança. Machuca sim, senhor. E decepciona.
Pra mim, esse argumento parece extremamente correto porque eu já tive criança em casa e é claro que eu sei mais sobre educação do que quem nunca teve. Mas acho que, com minha curta experiência, talvez alguns compreendam que, pra educar, a gente tem que esquecer o significado da preguiça, porque é através da repetição, dos exemplos e da coerência com os valores familiares que a criança aprende. Não tem essa de “dar tapinha”. Tem é que dar AMOR. E exemplo.
Lembro de uma vez, quando o Pedro teimava em mexer na televisão. Eu falava e falava e não adiantava. Perdi a paciência e dei um “tapinha” na mãozinha dele. Ele chorou tanto, ficou tão assustado e decepcionado comigo que a dor que eu senti no coração me fez prometer que nunca mais faria aquilo. E nunca mais fiz.
Quem conhecia o Pedro sabe o quanto ele era educado. Às vezes me desobedecia, fazia manha e queria fazer tudo sozinho – como toda criança inteligente e doida pra descobrir mais e mais coisas legais, mas nada que eu não resolvesse na conversa. Essa coisa de pensar que criança não entende o que a gente fala é um erro recorrente. Eles entendem sim, e muito mais do que a gente imagina. Como diz um amigo, o HD é zerado… Claro que de vez em quando é necessário um tempinho de castigo como forma de punição e de mostrar que o que eles fizeram é errado. E mesmo assim, quando digo “castigo”, quero dizer aquele tempinho sentado na cama, pensando no erro e tendo por perto livrinhos que tornem o tempo útil. Olhar nos olhos e posicionarmo-nos à altura deles ao falar também é importante. Mostra que os respeitamos e que confiamos neles.
Se a gente parar pra refletir, dá pra perceber que tudo pode ser conversado, exemplificado. Criança adora história, adora ser personagem e sentir-se respeitada pelos pais. E respeito, como todo mundo sabe, gera respeito. É preciso que se dedique tempo à educação dos filhos e que se tenha paciência, muita paciência. Gritar e dar uns tapas é muito fácil, mas sinceramente, se você acha que educar é pra ser fácil, melhor nem tentar e poupar seus filhos desse comportamento tacanho. Tapa resolve momentaneamente, mas os problemas que ele pode causar são muito maiores do que o vergão que fica na pele.
Vá por mim.