Archive for the ‘Mundo’ Category

Minha teoria

Tenho uma teoria a respeito do fato de não existirem “deusas da guitarra”.
Alguém conhece uma? Tá, uma. Mas duas, três, cem??? Grandes vocalistas não contam, porque tô falando de guitarristas.

(e nem adianta começar a brigar porque eu mesma sou fã de bandas com vocal feminino)

Se você conhece um pouquinho de música (como yo) sabe que não há deusas do rock. Só deuses. Os maiores guitarristas do planeta (vivos e mortos) são todos homens. Ou, segundo a famigerada lista dos “100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos” da Rolling Stone (para a qual só não coloco link direto porque não achei), publicada em 2003, pelo menos 98% dos top-tops fazem parte do mundo macho-nato. São caras que mudaram o rumo da música em algum ponto da história, consolidaram um estilo, ou, simplesmente, foram (e ainda são) tão fodásticos no que fazem que arrepiam quem os ouve, arrebatando fãs ensandecidos por todo o mundo.

(Tem um artigo legal aqui).

Portanto, minha teoria é a seguinte: os homens têm um relacionamento FÁLICO com a guitarra. Pronto.

Isso explica por que não há grandes guitarristas mulheres - basicamente porque elas não têm falo. Ou seja, para esses caras, música é tesão puro, e executar um solo é como bater uma grande punheta.

Querem outra base argumentativa? Por favor analisem cuidadosamente as fotos abaixo e vejam se não tenho razão:

Bom, acho que já convenci. Agora é só aguardarmos, ansiosos, minha próxima idéia brilhante.

Posted by DaniPassos on fevereiro 26th, 2009 3 Comments

Aleitamento Materno

O prefeito de São Paulo tá precisando se informar. Por favor, alguém passe o link deste blog pra ele. E passe também o do UNICEF.
Obrigada.


“O UNICEF calcula que o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida pode evitar, anualmente, 1,3 milhão de mortes de crianças menores de 5 anos. Os bebês até os seis meses não precisam de chás, sucos, outros leites, nem mesmo de água. Após essa idade, deverá ser dada alimentação complementar apropriada, mas a amamentação deve continuar até o segundo ano de vida da criança ou mais.

Amamentar os bebês imediatamente após o nascimento pode reduzir consideravelmente a mortalidade neonatal – aquela que acontece até o 28º dia de vida – nos países em desenvolvimento. No Brasil, do total de mortes de crianças com menos de 1 ano, 65,6% ocorrem no período neonatal e 49,4% na primeira semana de vida.

O aleitamento materno na primeira hora de vida é importante tanto para o bebê quanto para a mãe, pois, auxilia nas contrações uterinas, diminuindo o risco de hemorragia. E, além das questões de saúde, a amamentação fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho.

Para incentivar o aleitamento materno exclusivo e apoiar mães e famílias no cuidado com seus bebês, o UNICEF utiliza, no Brasil, o kit Família Brasileira Fortalecida e o álbum Promovendo o Aleitamento Materno, para que o município assegure o direito da gestante e do bebê ao aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida. Também incentiva hospitais e maternidades para que se tornem Hospitais Amigos da Criança, mudando condutas e rotinas responsáveis pelos altos índices de desmame precoce e promovendo a humanização do parto.

Bebês que são amamentados ficam menos doentes e são mais bem nutridos do que aqueles que ingerem qualquer outro tipo de alimento.

Utilizar substitutos do leite materno, como fórmulas infantis ou leite de outros animais, pode ser um grande risco para a saúde do bebê. Isso ocorre principalmente quando os pais não podem comprar os substitutos na quantidade necessária ou quando a água que utilizam para preparar o alimento não é limpa o suficiente.

Quase todas as mães conseguem amamentar com sucesso. Aquelas que não possuem confiança para amamentar precisam do estímulo e do apoio prático do pai da criança, bem como da família e dos amigos. Agentes de saúde, organizações femininas, a mídia e os empregadores também podem oferecer o seu apoio.”

Todos (principalmente o prefeito de São Paulo, neste caso) devem ter acesso às informações sobre os benefícios do aleitamento materno. É obrigação de cada governo fazer com que as pessoas tenham acesso a essas informações, mas se dependermos da atual administração paulistana, tá todo mundo ferrado.

Segundo a Folha de São Paulo, o Kassab vetou o projeto de lei aprovado na Câmara Municipal que ampliaria de quatro para seis meses a licença-maternidade das funcionárias municipais, tendo a falta de noção de dizer, ainda, que “não há comprovação científica sobre quanto tempo a mãe deve amamentar seu filho”.

Posted by DaniPassos on fevereiro 25th, 2008 1 Comment

Denúncia Anônima

- Boa noite… (eu entrava no ônibus, indo pra casa depois da terapia)
- Boa noite, amiga! Tudo bem?
- Tudo… e o senhor?
- Tudo certo, graças a deus. Vai viajar?
- Viajar?
- É, agora no feriado…
- Vou nada! Ficarei em casa descansando. Às vezes uma viagem cansa mais que o trabalho, não é? (na verdade, eu ia viajar. mas não sei por que, respondi que não. Talvez até pra evitar conversa)
- Verdade…
- Quero ficar em casa.
- Eu vou passear.
- É? Vai pra onde?
- Passear entre o (XXXXXXX) e o (XXXXX)…. hahaha… (bairros que formam o itinerário do ônibus)
- Ah! Vai trabalhar no feriado?!
- Opa! Falei pra minha mãe que não queria estudar pra virar motorista de ônibus! Hahaha!
- Afe! Ai, ai… (ele riu, mas eu senti tristeza. Disfarcei e ri também)
- Nada. Escolhi trabalhar. Não dá pra viajar com a família toda em feriado. Você é que devia, porque mora num lugar tranquilo.
- Por quê?
- Ah! Eu moro lá no Cingapura Ipiranga… Se a gente deixa a casa sozinha, os ‘nóia’ entram lá e roubam tudo. (pra quem não sabe, Cingapura é um projeto do Maluf: com a intenção de acabar com as favelas, foram construídos prédios com apartamentos a baixíssimos preços, acessíveis para a população humilde de SP, e que acabaram virando cortiços verticais. Em respeito à narrativa, vou relevar os aspectos político e higienista disso agora)
- Nossa! Não dá pra deixar a casa sozinha? Nunca?
- Nunca. Alguém tem que ficar. Lá é complicado…. Sabe que pra entrar nos prédios a gente tem que ser revistado? Todo mundo leva geral.
- Mas de quem? Da polícia? (eu e minha primeira demonstração de ingenuidade e alienação)
- Que polícia… Dos traficantes. Eles mandam em tudo lá e não querem deixar entrar policial disfarçado.
- Puxa! Que horror!
- Pois é… Nem recebo visita em casa por causa disso. Deixar as pessoas constrangidas… Dia desses, um sobrinho da mulher foi lá e fizeram ele jogar todas as coisas da mochila no chão. Ele ficou chateado…
- Nossa. Será que não tem como o senhor sair de lá e ir viver em outro lugar?… Mas também, tá tudo tão caro… (eu de novo. Agora tentando superar a própria falta de noção com o final da sentença)
- Ah… Não dá. Um de três quartos que eu tenho lá não vou arranjar em outro lugar. Não vale a pena vender porque o dinheiro não vai ser suficiente pra comprar outro.
- E quanto vale um apartamento lá? Como o seu? (juro que achei que ele diria uns 40 mil)
- Sabe que eu reformei há pouco tempo, né? Gastei uns 15 mil. Os apartamentos valem em torno de 18 mil. Hoje, talvez, o meu esteja valendo na casa dos 25.
- É… não dá pra comprar em outro lugar. (toma, Daniela!)
- E isso fora os meus móveis. Tudo o que tenho no meu quarto enche um três cômodos. Não dá. A gente vai comprando pra ficar o resto da vida por ali mesmo. E ainda tem que aguentar os ‘nóia’ armado, pra lá e pra cá. Não tem o que fazer.
- E não tem polícia? (aqui fui ingênua de novo. Mas não tive culpa…)
- Tem, tem polícia! A polícia militar foi lá e cobrou 20 mil pra fazer a segurança da boca. O ‘tático’ pediu 30 e a ‘rota’, 40. Ficaram com o ‘tático’. (polícias militar, tática e rota. Cada uma com sua especialidade na defesa do cidadão)
- Nossa! É assim mesmo? Puxa vida…
- Ô se é! E se a gente ligar no 181 eles vêm e falam “tem gente aqui denunciando. Temos uma gravação e se a gente descobrir quem é, morre”. A gente não pode fazer nada. (o 181 é o disque-denúncia anônimo, para o qual as pessoas são encorajadas pelo governo a ligar e “manter suas identidades no mais absoluto sigilo”)
- E mesmo assim os caras entram na sua casa quando ela está vazia?
- Entrar, entra, né? Aí a gente precisa chamar o ‘gerente’ pra tirar ele de lá.
- Gerente? Que gerente?
- O ‘gerente’ da boca. Aí ele vai e tira o ‘nóia’ de lá. Eles são organizados. Aquilo tudo é do PCC.
- Nossa… imaginei gerente de tudo, menos de boca.
- É, amiga. A gente tá no Brasil. (É amigo, e se eu ficar de olhos fechados não tenho mesmo do que reclamar.)

Posted by DaniPassos on outubro 30th, 2007 No Comments

Caos

A notícia é velha, mas ainda reverbera por aí. Por isso resolvi dar meu pitaco. Depois de ouvir tanta coisa maluca que foi falada, percebi (again, and again, and again) que estamos todos a um passo do caos. Absurdo é pouco. Na verdade, o absurdo tornou-se o padrão normalmente aceito pela sociedade e isso, minha gente, assusta.

A notícia é sobre o tão comentado assalto ao Luciano Huck. Pra começar, quero deixar claro que a base do meu pensamento é: não importa O QUE foi tomado, e sim COMO.
Pra exemplificar a diversidade de opiniões, duas frases resumem as linhas de pensamento que foram desenvolvidas a partir do evento:

1 – Playboy dá moleza de rolex, é roubado e depois reclama na Folha de SP

2 – Luciano Huck é assaltado em São Paulo e escreve artigo indignado na Folha de SP

Ok. (tempo para reflexão)

Minha opinião, segundo a base do meu pensamento, é que o cara tinha o direito de reclamar sim. E se ele tem acesso à redação da Folha de SP, ótimo.
As pessoas não podem dizer (ou podem, enfim) que o cara deu moleza por sair com um relógio que compra não-sei-quantas casas populares. Se fosse assim, “dar moleza” seria sair de carro zero, usar um tênis novo, comprar um Ray-Ban, entrar no Fasano numa quarta-feira. Generalizar é um perigo.

Quem já tem “um assalto pra chamar de seu”, como o Huck falou, sabe da raiva que dá passar por isso, o medo de morrer com uma bala na cara e ter que ser reconhecido pela arcada dentária. Eu tenho um pra chamar de meu. Não sou rica, não tenho rolex e não tenho espaço na Folha de SP, mas passei pela mesma violência e também me senti constrangida por essa cidade (ou esse país, enfim II) estar como está. Principalmente, porque EU FAÇO A MINHA PARTE pagando impostos e dando duro na vida pra conseguir alguma coisa. Acho que, por mais grana que se tenha, ninguém merece passar por essa invasão terrível. E se a gente paga pra ter casa, pra comer, pra trabalhar, pra ir pra lá e para cá e pra viver, quem tem que prover nossa segurança são a polícia e o governo, não nós mesmos. É importante enxergar os dois lados da moeda antes de falar besteira. Não podemos aceitar que somos obrigados a “não dar mole”, porque isso nos trona reféns da possibilidade de ser assaltado, de ser estuprado, de perder anos de economia num carro roubado, de ver nossa vida vir a baixo com o assassinato de alguém querido, de perder, perder, perder. Só quem vive uma perda sabe o que sente numa situação dessas. Acredito que um assalto é um mix de perdas: perda da individualidade, perda da liberdade, perda do sossego, perda da ilusão da segurança. Não dá pra julgar quem passa por isso se você está de fora, usando discursos como “você não sabe se o assaltante estava passando fome!”, ou “playboy esnobe tem que se foder!”. Nem que você ache, do fundo do coração, que sabe tudo do problema social brasileiro (afinal, se alguém realmente soubesse, isso estaria resolvido). Ou pense no outro extremo, achando que bandido bom é bandido morto.

Essa é uma questão séria demais pra se tomar qualquer partido, porque os dois estão errados – como toda posição extremista. Precisamos buscar o equilíbrio, entendendo e buscando formas de tornar a vida melhor. Não aceitando, já que “isso é assim mesmo” que somos sempre um alvo fácil, nem assumindo um risco e nem achando que violência se paga com violência.

Cospir palavra é fácil. O negócio é manter o equilíbrio, minha gente. Equilíbrio.

Posted by DaniPassos on outubro 19th, 2007 No Comments

Tragédia é o Ó.

Incrível como certos fatos que, de tão noticiados, não páram de acontecer e chocar, entristecer, enfurecer e indignar a gente.
Estava assistindo TV no sábado à tarde, quando entrou o plantão de notícias da Globo. Não aquele que dá pavor quando tocam a musiquinha, mas o outro, que rola entre um programa e outro. O jornalista começou falando de um acidente de carro que matou não-sei-quantos em Minas. Em seguida, um atropelamento de cinco pessoas durante um racha em Brasília. Depois, um engavetamento de 15 caminhões nos Estados Unidos. O Marido comentou: “Credo! Quando acidente, né?”. Eu ri porque tinha pensado exatamente a mesma coisa.
É impressionante como a direção dos ventos funciona na mídia. Logo após aquele acidente terrível em Santa Catarina, no qual morreram quase trinta pessoas, não pararam mais de pipocar acidentes e atropelamentos no noticiário. Como há um tempinho, em que a cada dia surgia mais um ataque de pit-bull e a gente tinha a impressão de que o chefe da cachorrada estava comandando, telepaticamente, um ataque em massa mundial. Ou há cerca de 1 mês, mais ou menos, quando de repente, diversas mães desesperadas começaram a tentar matar seus filhos recém-nascidos. Toda vez é assim. Acontece uma coisa que chama demais a atenção do público, e de repente todos os repórteres resolvem olhar para o mesmo lado, buscando espaço nos jornais.

Deus me livre. Parece até que ditam moda.

Posted by DaniPassos on outubro 15th, 2007 No Comments

Amor pelo Brasil e pela Ivete Sangalo

Qual era mesmo o objetivo do “Cansei”?

- Reunir celebridades?
- Vaiar o governo federal?
- Reunir celebridades?
- Xingar o Maluf?
- Reunir celebridades?
- Encenar uma “manifestação cívica de cidadania e de amor pelo Brasil”?
- Ou… reunir celebridades pra dar ibope e fazer a imprensa aparecer?

Afe. Não entendo mais nada. Inversão de valores me dá nó na cabeça.

Posted by DaniPassos on agosto 17th, 2007 1 Comment

Insensibilidade

A abordagem da mídia em relação ao acidente em Congonhas é uma das mais sensacionalistas que eu já vi.
Enquanto ela se preocupa demais em ouvir e transmitir frases como “eu estava lá!”, “é, deu muito medo”, ou “eu achei que iria morrer!” de pessoas que por acaso passavam pelo local ou trabalhavam a 500 metros dali ou também por acaso fincaram raízes em volta dos escombros para aparecer na televisão, ao mesmo tempo invade a privacidade das famílias das vítimas de forma assustadora, curiosa e inconveniente.

Quem perde um ente querido, pra começar, não quer conversar. Não quer ver ninguém, muito menos dar declarações televisionadas contando o quanto a pessoa era isso ou aquilo. Falar sobre seus sonhos então, é terrível. Sonhos que caem por terra doem mais que qualquer coisa.
Dor, minha gente. Dor! Perda! Alguém sabe realmente o efeito desses sentimentos?
Perguntam a uma avó que perdeu filho, nora e neta, o que sentiu quando descobriu que a família morreu no avião. O que se espera que ela diga, meu deus?…
Divulgam declarações de pessoas que, por um ou outro motivo, mudaram o horário da viagem na última hora e escaparam. “Como você se sente?”, “Ah! Eu nasci de novo!”. Esses sortudos deveriam é ficar bem quietos, pensando na chance que tiveram, e não agir com essa falta de tato diante de centenas de famílias que tiveram as vidas seriamente lesadas para sempre.
É um absurdo usar o sofrimento alheio pra vender jornal, pra tentar causar comoção pública inútil e desnecessária.
Aliás, absurdo não. Ridículo, baixo.

Eu que estou precisando entender a imprensa ou esse povo é que está precisando de semancol?

Posted by DaniPassos on julho 19th, 2007 4 Comments

Será que só eu fiquei constrangida?

Tá bom que o Brasil é (ou deveria ser) um país democrático.
Tá bom que as pessoas devem lutar por seus direitos.
Tá bom que todos devem ter liberdade de exprimir toda a sua revolta com as instituições quando bem entenderem.
Tá bom que “democracia é isso aí”.
O problema é o respeito. Ou a completa falta dele.
Como o caso que contei no post anterior a este, os brasileiros, em geral, não respeitam nem a si próprios. Não conhecem os próprios direitos e são mestres em falar merda na hora errada.
Sinceramente, achei uma falta de respeito absurda o que o correu na abertura do Pan. 40.000 pessoas vaiaram o Presidente da República numa situação que era para ser de festa, numa das cidades mais lindas do mundo e considerada também uma das mais violentas, e que só sedia os jogos por causa do apoio do governo federal. A mesma cidade onde, durante os jogos, os taxistas poderão aproveitar dos turistas oficialmente, trabalhando em bandeira dois 24 horas por dia. No país onde somos roubados todos os dias pelos pilantras que elegemos.

Não sou PT: que isso fique claro. No entanto, acredito que o Lula fez muito pelo país. Teve seus tropeços, confiou nas pessoas erradas e tomou decisões inoportunas. Mas uma coisa que deve ser considerada, é que se o Presidente governasse o país sozinho, sem dividir o poder com o congresso, estaríamos numa ditadura, não num regime democrático. Outra coisa que ninguém pensa nessas horas é que temos tanto direito quanto ele de estar lá, regendo uma das nações mais controversas do mundo.
A questão é que não há ninguém confiável que queira fazer isso. Não há gente boa o bastante para formar um time de governo. As laranjas podres teimam em estragar tudo para se dar bem e nós ficamos em casa, assistindo tudo de camarote, dizendo que não podemos fazer nada. Chegou no bolso a gente reclama, mas dificilmente entende o que está falando e jamais tenta mudar as coisas.
Devemos considerar também o que foi positivo nos anos de governo do Lula. E lembrar (LEMBRAR!, porque povo esquecido como o brasileiro não tem) que esse ranço de hipocrisia e desonestidade faz parte da cultura do país em toda a sua história. Não começou na posse do Presidente.
Burro não é ele. Somos nós, que só sabemos gritar e agitar bandeiras no meio do povão, na febre do coletivo, dando risada e soltando xingamentos anônimos e medrosos. Na hora de tomar atitudes sérias, preferimos ver novela a questionar os próprios defeitos, com preguiça (preguiça!) de participar de um governo que constitucionalmente espera nossas indagações e propostas.

Tá bom. Sentar em cima do rabo e vaiar o outro é fácil.
Só que não nos acrescenta nada de bom.

Posted by DaniPassos on julho 16th, 2007 3 Comments

Mudar vai dar trabalho…

Sexta-feira, terminal rodoviário Tietê.
Assim que embarquei o ônibus saiu. Na portaria da rodoviária fica um fiscal da Socicam (empresa de mão-de-obra), responsável por controlar a saída de funcionários da rodoviária que pegam carona nas linhas. Ele fez sinal para o motorista, que já reclamou:
- Mas que saco! Esse moleque não deixa passar nada!
O fiscal subiu e perguntou se havia funcionários da empresa entre os passageiros. Com a afirmativa do motorista, disse que precisava ver os crachás para lançar no controle (tinha uma prancheta nas mãos). Com muita má vontade, o motorista indicou onde estavam os dois funcionários e ele entrou pelo corredor. Nisso, o motorista soltou outra:
- Daqui a pouco vai pedir RG…
O passageiro da poltrona três, até então quieto, também fez piada:
- Ele vai querer ver os passaportes…
- Pois é! Toda vez que é turno dele esse moleque pára todos os carros!
- Medo de perder o emprego…
Eu só observando. Até agora, tinha entendido que o trabalho do fiscal era justamente aquele, e ele estava cumprindo com sua obrigação.
Depois de conferir os crachás, saiu, agradeceu ao motorista e deu boa noite, descendo do ônibus e liberando a passagem.
Rodamos 150m e o motorista parou de novo, já fora da rodoviária. Abriu a porta e permitiu a entrada de um ambulante com uma caixa cheia de pacotes de batatas-fritas.
- E aí, Fulano, beleza? – Perguntou ao motorista.
- Beleza! Vai lá.
O vendedor entrou, ofereceu suas batatas-fritas a todos os passageiros e o motorista fez o favor de sair pouco do lugar, pra não atrapalhar o trânsito. Mal moveu o carro.
O vendedor voltou, já com a caixa quase vazia e falou:
- Que vai hoje, Fulano? (ele sabia o nome do motorista)
- Tem suco?
- De laranja e tangerina.
- Vê um de laranja.
O ambulante tirou o suco, deu ao motorista, não cobrou, agradeceu, concluiu seu “serviço”, deu boa-noite e desceu do ônibus.

E eu continuava tentando entender essa escancarada inversão de valores.

Posted by DaniPassos on julho 16th, 2007 2 Comments

Altruísmo perdido

Ontem aconteceu um episódio aqui no escritório que chamou minha atenção. A dona de um salão de beleza conhecido da mulherada da redação lançou a seguinte “promoção”:

Doe agasalhos e ganhe uma hidratação!

Fiquei pensando no altruísmo da cabeleireira, que trabalhará de graça e doará as roupas arrecadadas a uma instituição de caridade. No entanto, acredito que nenhuma das meninas que doará o fará de forma altruísta, pois ganharão algo com o “gesto”, que no mesmo salão, custa R$30.
A iniciativa, embora equivocada, é louvável. A dona da idéia arrecadará roupas pra quem precisa em troca do próprio trabalho. Mas não acho que quem levará uma hidratação de brinde em troca de umas peças que não usa há anos seja muito nobre. Só doará agora pra sair ganhando de alguma forma, sabe? É chocante. E triste.
O gesto deve existir independentemente de se ter alguma vantagem.

Aí lembrei de outro caso: fazia tempo que tínhamos (o Marido e eu) umas roupas pra doar em casa. Como não tínhamos tempo pra procurar uma instituição, quando o banco onde ele trabalha se afiliou à Campanha do Agasalho 2007 não pensamos duas vezes e baixamos o guarda-roupa. Foi embora um monte enorme.
Após quase três semanas de coleta no escritório, ele me ligou e disse que, desde a nossa doação, ninguém mais havia acrescentado à caixa nenhuma peça que não fosse camisa da empresa. Daquelas que eles ganham sempre pra divulgar a marca e tals. Ou seja, em três semanas de doação, só nossas roupas estavam lá.

Cadê a solidariedade desse povo, meu deus? Cadê o “fazer o bem sem olhar a quem”?

O individualismo às vezes cega.
O problema é que o cego nem sempre se preocupa com o que deixou de enxergar.

Posted by DaniPassos on junho 28th, 2007 1 Comment

51 dias de vandalismo

Alguém por acaso viu o estrago que os estudantes grevistas da USP fizeram no prédio da reitoria da universidade?
Isso porque são estudantes DA USP, e teoricamente, são pessoas que têm mais acesso à cultura, educação, normas sociais de conduta e uma idéia bastante definida de propriedade, do que é certo ou errado, do que é vandalismo e do que é manifestação cidadã.
Como sabemos, só entra na USP quem teve uma boa educação durante a vida, veio de famílias que puderam pagar as melhores escolas, os melhores professores, o melhor de muita coisa. Há sim estudantes de origem humilde, mas sabemos que eles são minoria.
Portanto, me pergunto: Por que a greve? Por que essa manifestação?
Já li muita coisa sobre o assunto, mas o real motivo ainda não ficou claro.
Uma coisa que li e que me marcou foi que uma das exigências era que o governo liberasse mais refeições aos estudantes. Com tanta coisa terrível acontecendo no mundo, esse não me parece o pior dos problemas. Tudo bem que estou de fora, e como quem tá de fora depende da cobertura da mídia e a mídia por vezes (muitas, aliás) é parcial, talvez as informações que chegaram até mim estejam incorretas. No entanto, vi imagens de como ficou o prédio da reitoria depois de 51 dias de ocupação. Até o forro estava destruído. Material de escritório, salas, computadores, portas. Paredes pichadas. Tudo coisa cujo pagamento sai do bolso dos que pagam impostos.

Que razão essas pessoas querem ter?

O pior foi que quando resolveram ceder, uma das exigências era que os manifestantes NÃO FOSSEM ACUSADOS pela depredação do lugar.

Tá bom. Estamos no Brasil mesmo.

Posted by DaniPassos on junho 25th, 2007 3 Comments

A bandalarga e eu

Toda vez que passo pelo quarto da bagunça preciso entrar, ignorar a zona em cima da cama de visita, sentar em frente ao computador e dar uma passeada na internet (é que no quarto da bagunça é onde hospedamos o computador na minha casa. Fazemos de conta que é “escritório”, hahaha). Toda vez. Checo e-mails, dou uma olhada rápida nos jornais online, fico puta com algumas notícias bizarras que encontro, dou risada de outras, entro no youtube e vejo uns clips, volto ao meu e-mail e saio. Às vezes dou um pulo no site da Globo e espio umas notícias de celebridades (adoro ver aquelas fotos sem makeup: sinto-me mais gente, só mais pobre, claro). Em outras, passeio pelos meus blogs preferidos ou até leio umas bobagens que saem em sites e revistas femininas. Impressionante como falam coisas estúpidas para e das mulheres… enfim.
O que acho interessante é a variedade de coisas que podemos fazer se estivermos conectados à internet. Trabalho, lazer, ócio, trabalho, lazer, ócio. Música, filmes, séries, pesquisas dos mais variados tipos e temas. Fóruns de discussão (alguns realmente construtivos, outros nem tanto), bobagens mil. Comunidades de gostos comuns. Bate-papo sem gastar telefone! Tudo bem que não sou muito fã desse último, mas às vezes ele é bem útil, ainda mais quando temos amigos em Londres e Minas, amigos conterrâneos, mas que não vemos sempre nesta cidade enorme, família a 230km.

De vez em quando cansa e eu fujo, vou cozinhar, ver tv, dormir, cuidar das minhas violetas (é! Agora eu tenho violetas), mas só por algumas horinhas.
Logo eu volto, na torcida para que em breve inventem um jeito de queimar calorias em frente ao computador, pra eu nunca mais ter que me preocupar com a ginástica, porque eu só me preocupo mesmo.

Posted by DaniPassos on maio 27th, 2007 3 Comments

Queria poder fazer alguma coisa.

Tem dia que não dá vontade de ler jornal. É tanta tragédia que dá tristeza.
Além dos problemas ‘básicos’ do Brasil (corrupção, pilantragem, sem-vergonhice, cara-de-pau, safadeza), o que mais me chama a atenção são os casos de violência contra crianças.
É impressionante como há pessoas que não dão valor ao amor. E a vida é tão frágil…

Criança é frágil. Não deveria apanhar, ser amarrada junto com o cachorro, tomar tiro na testa, ser colocada em microondas até morrer assada, morrer ou ter sequelas pelo resto da vida porque deu o azar de estar no lugar errado e na hora errada, ser sufocada porque não sabe contar até cem, ser estuprada porque é bonitinha, ser arrastada por quilômetros porque não conseguiu se soltar do cinto do carro roubado.
Fico chocada porque virou lugar-comum: sempre que abro um portal de notícias (uol, terra, folha, globo) ou folheio uma revista semanal, ou um jornal diário, vejo uma manchete sobre uma criança assassinada pelos pais, envolvida num acidente estúpido, vítima de bala perdida ou de bandidos de sangue gelado.
Meu coração dói, dá vontade de vomitar.

E penso que eu deveria ter o direito de bloquear esse tipo de coisa do meu conhecimento e do meu dia-a-dia, porque a raiva que sinto é gigantesca.

Posted by DaniPassos on maio 21st, 2007 3 Comments

Ah, o paulistano.

Conheço algumas pessoas que sonham morar em São Paulo. Pessoas que nem imaginam a correria insana que é tudo por aqui, a quantidade de mal educados que existem e o saco que é estar cansado e ter que pegar duas, três conduções pra chegar em casa.

Ok. São Paulo é uma cidade legal, tem milhões de opções de restaurantes, programas culturais e baladas tuntch-tuntch de domingo a domingo. Eu gosto daqui, mas tem hora que o estresse é demais.
E o maior problema da cidade é exatamente o estressado. O paulistano, nascido aqui mesmo ou em qualquer lugar do Brasil ou do mundo. O cara pode ser lá do norte do Sergipe ou da fronteira com a Argentina, não importa. Chega aqui e vira paulistano.
Eu também sou, mas de naturalidade, não de comportamento, assim como diversas outras pessoas que conheço. Prefiro dizer que sou do interior.
Minha intenção não é ficar só metendo o pau em São Paulo, mas chamar a atenção ao que torna essa cidade um caos: as pessoas.

Paulistano que é paulistano é mal-educado, mau-humorado, porco, insensível, individualista, grosseiro, egocêntrico, bairrista.
Suas frases preferidas são: ‘que se foda’, ‘não quero nem saber’, ‘azar o dele’ e ‘só podia ser baiano’ (por ‘baiano’ entenda-se qualquer pessoa que venha do norte do país. Ou que tenha um sotaque nordestino, ou que faça qualquer coisa que o outro julgue ser estúpida, ou que trabalhe como porteiro de prédio, manobrista, empregada doméstica, pedreiro. Para o paulistano, é tudo baiano).
Paulistano que é paulistano joga lixo no chão. Mesmo que haja um cesto a meio metro. Mesmo que alguém esteja limpando a calçada, mesmo que não tenha nada caído no chão, mesmo sabendo que a próxima chuva alagará a cidade porque o lixo que ele joga entupirá os bueiros e um monte de gente ficará presa no trânsito.
Paulistano que é paulistano não respeita ninguém, passa por cima. Não está nem aí se a cidade é uma bosta por causa dele.
Não sabe pedir ‘por favor’ ou dizer ‘obrigado’. Não sabe esperar a sua vez e acha que os maiores problemas do mundo giram em torno do próprio umbigo.

Paulistano que é paulistano é assim, babaca por natureza.

Posted by DaniPassos on abril 23rd, 2007 4 Comments

Aquecimento global

Não pensei em escrever sobre isso só porque é moda. Pensei porque li uma matéria hoje que me deixou impressionada e chocada com a minha ignorância.
Na Superinteressante deste mês, descobri que 25% do efeito estufa é conseqüência da criação de gado e agricultura.
Pum de vaca é perigoso para a atmosfera. Metano puro, que é 20 vezes mais poderoso que o CO2.
Fora o óxido nitroso que é liberado pelos fertilizantes químicos: 310 vezes mais poderoso que o CO2.
Os números são assustadores: as fazendas americanas emitiram, em 2005, cerca de 800 mil toneladas de óxido nitroso na atmosfera. Isso equivale à emissão de 100 milhões de carros a gasolina, ou 4 vezes a frota brasileira.

Vixe.

Posted by DaniPassos on fevereiro 26th, 2007 4 Comments