A notícia é velha, mas ainda reverbera por aí. Por isso resolvi dar meu pitaco. Depois de ouvir tanta coisa maluca que foi falada, percebi (again, and again, and again) que estamos todos a um passo do caos. Absurdo é pouco. Na verdade, o absurdo tornou-se o padrão normalmente aceito pela sociedade e isso, minha gente, assusta.
A notícia é sobre o tão comentado assalto ao Luciano Huck. Pra começar, quero deixar claro que a base do meu pensamento é: não importa O QUE foi tomado, e sim COMO.
Pra exemplificar a diversidade de opiniões, duas frases resumem as linhas de pensamento que foram desenvolvidas a partir do evento:
1 – Playboy dá moleza de rolex, é roubado e depois reclama na Folha de SP
2 – Luciano Huck é assaltado em São Paulo e escreve artigo indignado na Folha de SP
Ok. (tempo para reflexão)
Minha opinião, segundo a base do meu pensamento, é que o cara tinha o direito de reclamar sim. E se ele tem acesso à redação da Folha de SP, ótimo.
As pessoas não podem dizer (ou podem, enfim) que o cara deu moleza por sair com um relógio que compra não-sei-quantas casas populares. Se fosse assim, “dar moleza” seria sair de carro zero, usar um tênis novo, comprar um Ray-Ban, entrar no Fasano numa quarta-feira. Generalizar é um perigo.
Quem já tem “um assalto pra chamar de seu”, como o Huck falou, sabe da raiva que dá passar por isso, o medo de morrer com uma bala na cara e ter que ser reconhecido pela arcada dentária. Eu tenho um pra chamar de meu. Não sou rica, não tenho rolex e não tenho espaço na Folha de SP, mas passei pela mesma violência e também me senti constrangida por essa cidade (ou esse país, enfim II) estar como está. Principalmente, porque EU FAÇO A MINHA PARTE pagando impostos e dando duro na vida pra conseguir alguma coisa. Acho que, por mais grana que se tenha, ninguém merece passar por essa invasão terrível. E se a gente paga pra ter casa, pra comer, pra trabalhar, pra ir pra lá e para cá e pra viver, quem tem que prover nossa segurança são a polícia e o governo, não nós mesmos. É importante enxergar os dois lados da moeda antes de falar besteira. Não podemos aceitar que somos obrigados a “não dar mole”, porque isso nos trona reféns da possibilidade de ser assaltado, de ser estuprado, de perder anos de economia num carro roubado, de ver nossa vida vir a baixo com o assassinato de alguém querido, de perder, perder, perder. Só quem vive uma perda sabe o que sente numa situação dessas. Acredito que um assalto é um mix de perdas: perda da individualidade, perda da liberdade, perda do sossego, perda da ilusão da segurança. Não dá pra julgar quem passa por isso se você está de fora, usando discursos como “você não sabe se o assaltante estava passando fome!”, ou “playboy esnobe tem que se foder!”. Nem que você ache, do fundo do coração, que sabe tudo do problema social brasileiro (afinal, se alguém realmente soubesse, isso estaria resolvido). Ou pense no outro extremo, achando que bandido bom é bandido morto.
Essa é uma questão séria demais pra se tomar qualquer partido, porque os dois estão errados – como toda posição extremista. Precisamos buscar o equilíbrio, entendendo e buscando formas de tornar a vida melhor. Não aceitando, já que “isso é assim mesmo” que somos sempre um alvo fácil, nem assumindo um risco e nem achando que violência se paga com violência.
Cospir palavra é fácil. O negócio é manter o equilíbrio, minha gente. Equilíbrio.