Archive for the ‘Só rindo’ Category

Prezado Cliente

Sabe o que me deixa realmente PUTA? Ok, ok, alguns podem dizer que tudo me deixa fula da vida, que eu sou a rainha da reclamação, mas nada me deixa com mais vontade de sair por aí dando dentadas na parede do que ter que brigar, bater pé e telefone pra ter o que me é de direito.

Porra.

Tive o maior pau com certa fornecedora de telefonia. Cancelei uma linha e quatro meses depois ainda recebia contas pra pagar. Aí precisava ligar, esperar na linha, me irritar com as Patrícias Elaine, Brunas Heloísa e Helenas Desirrée da vida pra tentar ser atendida por alguém que efetivamente resolvesse alguma coisa – fora o fato de, nesse processo, perder um pouco da saúde e ganhar sintomas de síndrome do pânico – e poder pedir, encarecidamente, que fizessem a tal “análise da conta” e me liberassem do pagamento da CONTA QUE EU HAVIA CANCELADO MESES ANTES.

Acabei botando a imprensa no rolo (por vias perfeitamente legais e acessíveis a qualquer cidadão que leia jornal) e enfim a Telefonica, digo, empresa, resolveu atender meus pedidos e fazer a análise final da lista de contas que, pra eles, eu estava sem pagar.

Aí me ligaram pedindo desculpas pelo ocorrido, que havia um problema no sistema (sempre ele, o sistema do demônio), e que, assim como diria o @enteiajuda, “Tá tudo bem agora”.

A raiva passou, retirei a queixa do jornal e eis que recebo uma cartinha assim:

“Prezado(a) Cliente,

Queremos agradecer-lhe por utilizar os serviços da (…)

Conforme sua solicitação, analisamos os sistemas de rede, os equipamentos de tarifação e os lançamentos efetuados em sua conta telefônica e não identificamos qualquer anormalidade que pudesse gerar cobranças indevidas.

Entretanto, por valorizar o nosso relacionamento, vamos conceder excepcionalmente nesta conta o ressarcimento do valor cobrado conforme sua solicitação.

Atenciosamente,

(…)”

Hahaha. Em outras palavras:

“Prezado(a) Trouxa,

Queremos agradecer-lhe por utilizar os serviços da (…)

Você é a maior caloteira, mas nós somos tão legais que vamos perdoar sua dívida.

Beijão da Telefonica aê”

Eu mereço.

Posted by DaniPassos on agosto 21st, 2009 6 Comments

A estrela que no céu desponta

Resolvi dar nome à minha insatisfação. Ela agora se chama Dalva. Não é aquela insatisfação que faz bem, estimula e faz crescer. É a insafistação consigo mesma, a que torna mais importante a vida alheia do que a sua própria. É algo ruim, claro, que eu faço de tudo pra manter longe de mim, mas que existe e parece que às vezes tira o dia pra me aporrinhar.

A Dalva surgiu na minha vida sei lá como. Será um encosto? De vez em quando ela aparece.

Mas já sei como expurgá-la.

Porque, veja, não há espaço para a Dalva hoje. Eu trabalho tanto, vivo tanto - e tenho tantas coisas a mais para pensar - que o máximo que a Dalva consegue é isso: um comentário no meu blog. É o que basta para ela, é o que a sacia. A insatisfação é estranha, porque uma coisinha qualquer, uma migalhinha pode ser o bastante. Paradoxal? Pois é. Mas a vida não é assim?

O lado bom de nomear minha insatisfação - ou será mesquinharia? baixeza? ou tudo isso junto e mais um pouco? - é que ela assume um tamanho. E vou lhe dizer: é bem menor do que parece. Outra vantagem é que, agora, poderei dar nome ao motorista mal-educado, às vezes em que perco o ônibus, às más amizades, às pessoas que cutucam o nariz. “Ô Dalva!” soa mil vezes melhor que um palavrão.

A Dalva é o que há de mais baixo no ser humano. É insegura, pequena, faz cocô com dificuldade e tem espinha. Cheira mal, tem furúnculo e pêlo encravado na virilha. Ela resume tudo o que o ser humano odeia em si mesmo e na própria vida insossa. É uma hiena. E morre com uma porrada só.

Sou muito mais feliz agora que dei nome pra Dalva.

Posted by DaniPassos on dezembro 2nd, 2008 2 Comments

AGORA SIM, eles podem descansar em paz

Mais uma da igreja católica:

Após espera desesperada dos fãs e dos membros ainda vivos do grupo, piquetes, campanhas, cartas e abaixo-assinados inflamados, o Vaticano resolveu ‘perdoar’ John Lennon (e os Beatles) pela sacrilégica frase:

“Os Beatles são mais famosos que Jesus Cristo”.

Ufa.

Agora sim, John e George estão lá no céu, felizes e satisfeitos com as novas acomodações.

Posted by DaniPassos on novembro 22nd, 2008 1 Comment

Vai fazer bolha…

Quando uma moça arruma um marido e sai de casa, é comum que procure o ninho materno de vez em quando para resolver pequenas questões do dia-a-dia relacionadas ao cuidado com o lar, culinária, trato com roupas e pequenas emergências.
Sempre que tenho uma camisa manchada, dúvidas sobre receitas ou qualquer outro probleminha caseiro que tenho certeza que minha mãe daria um jeito de resolver, ligo pra ela, que tem muito mais tempo de estrada que eu e uma arma muitíssimo importante nessas horas: os ensinamentos da minha avó.


Hoje de manhã, ao passar o café, queimei minha mão. Fiz uma arte ridícula: fui pegar a panelinha de água pra jogar no coador com um pano de prato (eu tenho cafeteira, mas o sabor do café é absurdamente diferente quando feito de forma tradicional), só que não apaguei o fogo. Aí o pano pegou fogo. E eu queimei minha mão.
Na hora liguei pra minha mãe:

- Mãe, queimei minha mão e não tenho remédio aqui. O que faço?
- Ai, Dani! Queimou como?
- O pano pegou fogo….
- Credo…
- E agora tá doendo pra chuchu. Meu dedo…
- Já molhou com água fria?
- Já. Mas ainda tá doendo.
- Foi feio? Sua irmã se queimou esses dias com sopa quente…
- Não, mas tá doendo. Se eu passar Nebacetin ajuda?
- Espera aí que eu vou ver. Não passe nada, manteiga, pasta de dente, nada. Já estou vendo, peraí.

Imaginando que ela estava dando uma olhada na caixa de medicamentos pra me indicar alguma coisa, um curativo, sei lá, esperei.

- Mãe….
- Só mais um minuto…
- Deixa, mãe, vou ficar molhando com água fria que resolve. Por que tá demorando?
- Só um pouquinho, Dani! O papai tá olhando no Google….
- (!!!)

Cadê o sangue indígena? Cadê os anos de experiência? E os ensinamentos da minha vó?
Tudo bem que eu trabalho com tecnologia e pesquiso de tudo na internet. Mas a minha mãe? Aí já é demais.

Posted by DaniPassos on abril 4th, 2008 8 Comments

Tem hora que eu me divirto


Ontem, um fotógrafo do Jornal da Tarde (que por acaso passava pelo bairro da Luz), registrou a briga acima.

Espirituosa que sou, não resisti às imagens e tive que dar risada, principalmente ao ler a nota:
1. Tudo começou porque um dos caras fechou o outro.
2. Alguém reclamou que alguém não deu seta.
3. O rapaz de roupa social - segundo testemunhas - foi o primeiro a descer do carro, pronto para a porrada.
4. Quando o de vermelho desceu do outro carro, o de roupa social viu que ele era grande e desistiu de brigar, mas aí o outro é que queria dar uma ‘amaciada’ no folgado.
5. O social saiu correndo, o careca atrás.
6. Pelo jeito, a bifa da segunda foto doeu.
Gente, no trânsito de São Paulo não cabe falta de paciência. Se algum leitor sofrer disso, sugiro um clique na citação abaixo:

Posted by DaniPassos on março 28th, 2008 4 Comments

Quem esse povo acha que engana?

Ontem vi um imã de geladeira do China In Box com uma foto da Adriana Galisteu. Acho que é antigo, mas vale para o texto. Em busdoors sempre tem propaganda da Daniele Winits anunciando a linha de tratamento de cabelo da Avora. Todo mundo já viu a Xuxa dizendo que o hidratante Monange é que deixa a sua pele ‘goixtuosa, maciiiia…”. Giovane, Ana Paula e Leila, do vôlei, vez por outra estão no Shoptime anunciando as maravilhas que o AbShape faz por você e sua barrigona flácida. Grazi é garota-propaganda do “Shopping Metrô Tatuapé. É, do Tatuapé. Isso só pra citar algumas ‘celebridades’ que vendem sua imagem para a publicidade de produtos que elas NUNCA sequer usariam.
Quem esse povo quer enganar, meu deus?

Adriane Galisteu comendo China In Box??? Hahahaha…
Daniele Winits usando Avora em seus cabelos? É ruim, hein, nega?
E a Xuxa? Ah, a Xuxa. Só a Xuxa… Monange, Jesus??

E os atletas do vôlei? São dos mais ridículos. Afirmam que para obter uma boa-forma só são necessários 20min diários de AbShape. Justo eles, atletas de conhecimento, fama e conquistas internacionais, que desde a adolescência treinam feito malucos, queimando calorias da forma mais correta, se exercitando, e não vendo TV.

É de morrer de rir.

Posted by DaniPassos on setembro 5th, 2007 2 Comments

What a Day!

12 de junho…

Fui despertada com um gostoso café na cama. Tinha suco, leite, queijo e pão fresco da padaria. Ele ficou ao meu lado e lanchou comigo. Sem pressa, nos arrumamos para sair e ir trabalhar.
Durante todo o dia foram diversos torpedos fofos… Ele me enviou um e-mail lindo, dizendo o quanto sou importante na vida dele e o quanto ele é feliz desde que me conheceu… Respondi reafirmando todo o meu amor, feliz da vida.
No trabalho, todas as meninas comentavam como ia seu dia dos namorados e cada torpedo era uma delícia.
À tardezinha ele me ligou e disse que me pegaria no escritório, que era pra eu esperar.
Às 19h em ponto, como marcamos, ele passou e me pegou. Fomos a um restaurante japonês que adoramos, lá no bairro da Liberdade, e comemos muito bem. Tomamos saquê, demos risada, experimentamos especialidades malucas como temaki de ovas de atum (ótimo).

Ele me presenteou com uma linda camisola de seda branca, com vários detalhes em renda. Eu dei o cachimbo que ele queria há um tempão e ele amou.
Fomos tarde para casa… Chegamos, tomamos um banho e aí…

… eu acordei.

Posted by DaniPassos on junho 13th, 2007 7 Comments

Marketing Viral

Você já recebeu alguma dica que achou interessante e acabou enviando para todos seus amigos? Imagine isto ocorrendo em larga escala.
Milhões de ppts, planilhas das mais malucas, vídeos bizarros, hits que viram musiquinha de celular.
Há cerca de um mês - pelo menos pra mim, rola o tal do “vai tomar no cu” em wmv, vídeo, interpretações diversas e todo mundo (TODO MUNDO! não me venha de moralismo agora.) morrendo de rir.
Aliás, não sei como o Ricardo ainda não tirou essa no violão.

Enfim. O novo fenômeno é a “dança do siri”. Pelo que entendi é uma invenção dos sem-noção do Pânico!. Mas quem garante que ela não foi criada por um farm boy pastor de ovelhas das montalhas lá da Indonésia?

Conheci a dança neste final de semana.

Imagine vários amigos, todos bêbados, alguns vestindo trajes de festa junina, outros com as sobrancelhas unidas com lápis de olho e com retalhos na calça.
Imagine muito quentão, muita gente que dança mal pra chuchu e muita intimidade (pra dançar isso em frente aos amigos é preciso ter intimidade).
Imagine um bando de marmanjos com as pernas abertas, pés pra fora e as mãos para os lados, imitando as pinças de um siri.
Agora imagine esse bando de barbados desconjuntados andando pra lá e pra cá, fazendo a dança do siri.
Imaginou?
Pois é. Eu vi.

Se não sabe do que eu tô falando, olhe:

Posted by DaniPassos on junho 11th, 2007 3 Comments

Mulher "Nova" o catso.

Detesto revista feminina que acha que mulher é burra. Que nos contentamos com pautas vazias após pagarmos R$9,90 por um exemplar. Que somos todas iguais. Que precisamos que alguém nos diga o que fazer ao levar um pé na bunda, como se os pés-nas-bundas fossem todos iguais. Que pintam os homens como estereótipos fixos. Que abordam temas como a primeira vez com 8º cara do mês. “Dou ou não dou?”, é ridículo. Fora que condenam as mulheres à moda antiga – não explicitamente, claro, mas dizendo que mulher que cozinha para o marido, passa mais de uma semana sem fazer hidratação no salão de um cabeleireiro de celebridades ou que comete o crime de fazer a própria sobrancelha é out, muito out. Só dando risada.
O problema é que há mulheres que se guiam por esses manuais de sobrevivência Tabajara.
Estava dando uma olhada naquela “Nova” (que eu não comprei, óbvio), que pra mim, é a pior de todas. Há, sim, alguns títulos mais interessantes e respeitáveis, mas “Nova” é dose. Juro por deus que na deste mês tinha um texto que ensinava a mulher a se virar sem absorvente, ao ser pega de surpresa pelo ‘sêo’ Chico (os leitores homens que me perdoem, mas “ensinar” a dobrar papel higiênico e colocar na calcinha me deixou perplexa). Como se isso fosse coisa que se ensine em revista. Fico até com medo de imaginar que tem mulher que não sabe de uma coisa dessas. Fora que as matérias são tão estúpidas que é difícil de acreditar que um jornalista sério perderia tempo em escrever tanta besteira. E o jeito que defendem que só tem sexo bom que espalha velas aromatizadas pelo quarto, usa lençóis de cetim vermelho, joga monte de coisas de geladeira numa só meleca sobre a cama e veste fantasias de bombeiro e gladiadora: esses sim são felizes.
Realmente, é de morrer de rir.

Posted by DaniPassos on maio 30th, 2007 3 Comments

Dá pra viver da escrita? De blog eu sei que não dá. Mas de livro…

Tem gente brigando comigo porque não tenho mais postado todos os dias.
Fãs ensandecidos que não suportam a idéia de ficar um dia sem mim.
Tietes desesperadas pelas minhas palavras.
Pessoas de bem ansiosas pela minha importante opinião…
Ó céus, como lidar com a fama?
Mal saio de casa e já tem gente querendo mechas do meu cabelo. Fiquei sabendo até que na próxima bienal do livro terá maluco vendendo oxigênio usado que sai dos meus pulmões.
Não sei mais o que fazer para ter uma vida normal…

Depois que virei blogueira minha vida mudou! Acho que preciso ter umas aulas com a Bruna Surfistinha.


Hoje li uma nota que dizia que a moça-de-vida-fácil está triste porque o segundo livro não vendeu como o primeiro. Na verdade, o que a incomoda é o motivo: ela assina e divulga o segundo livro como Raquel Pacheco, seu nome verdadeiro.
Preciso dar um toque nela, coitada.

Amiga,

Em primeiro lugar, tudo bem que a gente tá no Brasil e aqui qualquer um vira celebridade, modelo, exemplo de coragem e determinação. Mas daí você achar que sua vida dá um livro baby, sorry, porque não dá. Literatura erótica é bem diferente de baixaria mal escrita.
Em segundo lugar, se todo o seu sucesso você deve ao seu nome de guerra, vamos pensar de forma midiática (você sabe o que é isso?): a Coca-Cola é uma marca, o Burguer King é uma marca, a Perdigão também é uma marca. Um refrigerante, um fast-food, uma rede de produtos alimentícios. Como você, são produtos de comer. Já pensou se a Coca-Cola resolve se chamar “Xarope de Cola”? Ou o Burguer King, “Burgão do Zé”? Ninguém mais vai comprar e as empresas perderão muitos de seus clientes pelo mais simples dos motivos: eles abriram mão da sua marca, do seu nome de sucesso.
Resumindo: se não quiser perder mercado, não mude sua marca. É ela que te faz, independente da merda que você seja.
Não tente assumir uma posição de escritora de best-sellers. Você deveria ficar bem quietinha com seu blog e já estava bom. A Raquel Pacheco não é ninguém, além de uma prostituta pra lá de indiscreta.
Saiu na Folha Online que você disse que não dá pra viver da venda de livros. Óbvio!
“Só sendo um Paulo Coelho, que além de superfamoso, tem vários livros”.

Fofa, vejo que também precisa melhorar suas referências.

Um beijo no coração,

Daniela

Posted by DaniPassos on maio 25th, 2007 5 Comments

Na chuva, sem guarda-chuva.

Que sacrifício é comprar um guarda-chuva.
Não há nenhum que não seja cafona. Uns são menos e outros simplesmente passam do limite do ‘aceitável’. É um tal de listrinha com xadrez, bolinha com xadrez, coelhinho com xadrez, florzinha com xadrez…. afe. E tudo em cores completamente incompatíveis.
Como a gente faz?
Será que o guarda-chuva não é um acessório? E nós não temos que combinar acessórios?
De que adianta uma superprodução, supermaquiagem, supercabelo, se tudo é coroado com um guarda-chuva prateado por fora e xadrez azul com bolinhas cor de burro-quando-foge por dentro? Credo.

Hoje passei por isso. Chuva torrencial pela manhã e eu no ônibus. Aí, pra confirmar minha teoria de que nenhum motorista de ônibus vai com a minha cara, o tio passou direto pelo meu ponto e andou uns 400 metros até parar no ponto final da linha. Tudo bem que eu ando 400 metros numa boa, mas estava chovendo muito, e eu toda bonitinha, indo trabalhar, sem guarda-chuva.
Foi aquele drama, chuva, chuva com vento, carro passando e espirrando água e eu cada vez mais puta. Já estava atrasada para o trampo e bem à frente de onde costumo descer.
Que eu fiz? Atravessei a rua e parei um táxi.
- Senhor, preciso ir para a Cunha Gago, 700, por favor. Pode virar aí à direita que é paralela à Faria Lima (eu estava na Faria Lima).
- Ahn? 700?
- É.
Ele virou o quarteirão e vi o número 768.
Dei risada, pedi que parasse e desci.
E quanto tempo isso durou? Um quarto de quarteirão.
120 metros e 5 reais de gorjeta para o taxista que carregou a doida com sérias dificuldades de noção espacial.

Posted by DaniPassos on maio 22nd, 2007 4 Comments

Amanhã eu compro outro.

Hoje senti vergonha e resolvi escrever sobre isso.
Vergonha dá ibope.

Lembro que sempre fui uma menina detalhista, que prestava muito mais atenção a coisas pequenas do que os outros. Se algo tinha algum problema, eu morria de vergonha. Meu caderno não era da Click? Eu tinha vergonha. Minha mochila não era Risca ou Wagon? Tinha vergonha. Meu prendedor de cabelo era o elástico de uma meia de naylon velha? Eu me desintegrava de vergonha. Como a gente é otário e materialista quando é adolescente, né? Não que eu fosse o mais pobre dos seres, porque não era. Só não esnobava. Mas isso às vezes fazia eu me sentir menor que os outros, ainda mais estudando num colégio de freiras em SP, caríssimo e chique. A gente não era rico, mas minha mãe fazia questão de dar escola boa para nós três.

Àquela época eu tinha uma vergonha profunda dos meus tênis Rainha (aqueles baixinhos, de pano e com solado de borracha amarela), que sempre furavam no dedão. Tive uns três pares, e eles sempre eram aposentados com o mesmo triste e vergonhoso fim.

Atualmente continuo tendo vergonha. Não é mais aquela coisa materialista de antes, mas certas coisas incomodam. A diferença é que hoje, ao invés de brigar com a minha mãe por causa de um tênis ‘de marca’, eu dou risada de mim mesma. E como é bom rir da minha cara. Rá. Só eu sei.
Faz um tempão que preciso comprar um porta-moedas decente. Tenho vergonha do meu, mas é um trequinho tão pequeno e barato que acabo sempre deixando pra lá.
Ele é amarelo, de lona brilhante, com uma estrela verde gigante e o zíper azul. Horrível. Ganhei de lembrança de Natal, véspera de Copa do Mundo, e como não tinha outro, acabei usando. Isso faz dois natais. Vergonha.

Toda vez que abro aquele bagulho sinto meu rosto queimar.
E o cúmulo é que também guardo dentro dele os cartões de visita dos profissionais que conheço, ou seja, preciso tirar aquela coisinha cafona da bolsa toda vez que tenho que procurar o número de alguém.

Vergonha.

Até dentro do ônibus, pagando o cobrador. Juro. Tenho vergonha.

Posted by DaniPassos on maio 8th, 2007 6 Comments

"Você também gosta de levar vantagem em tudo, certo?"

Não, eu não gosto. Inclusive sempre fui muito certinha com as coisas. Em São Paulo eu fico doida porque ninguém se preocupa com ninguém, todos passam por cima de todos, todos furam filas, ninguém respeita os idosos, o trânsito é um inferno de mal-educados, o dia-a-dia é um saco porque todos deixam pra lá os ensinamentos básicos da vida por coisas muito, muito bestas.
Eu, por exemplo, sempre achei errado comprar produtos pirateados ou com preço questionável, dar esmola no semáforo, receber troco errado e não devolver o dinheiro, comprar coisas do submundo. Acho que as regras devem ser seguidas para que se viva bem em sociedade.
No entanto, cometo meus erros. Só que ao contrário de muita gente, aprendo com eles.

Ontem estava com a maior pressa, com horário marcado pra encontrar alguém no metrô Vila Mariana. Meu chefe me segurou no trabalho e saí correndo, atrasada. Chegando à estação, lembrei que ainda precisava comprar o bilhete e pensei na fila imensa que me esperava na bilheteria.
Seguindo a Lei de Gérson e pensando que só eu tinha pressa, só eu merecia passar pela catraca sem ter que pegar fila e só eu estava cansada após mais um dia de trabalho, resolvi comprar o bilhete de um ambulante. Pensei: ‘são só dez centavos a mais e eu não pego fila’. Havia feito isso só uma vez até ontem.
Comprei o bilhete por R$2,40 e fui à catraca. Quando inseri o produto falsificado, roubado, comprado a rodo, sei lá, ele não funcionou. Uma luz vermelha começou a piscar sobre mim, um alarme estridente começou a soar, os alto-falantes bradaram ‘Bilhete inválido! Bilhete inválido’, e de repente me vi cercada por cinco funcionários do metrô e por pelo menos 20 membros da SWAT fardados e armados. Um deles chutou minhas costas e eu caí no chão, ouvindo o outro falar sobre os meus direitos enquanto me algemava. Olhei em volta e todos os passantes apontavam pra mim e me chamavam de bandida pra baixo, cuspindo de vez em quando.
Me senti péssima.

Óbvio que parte dessa história de terror é fruto da minha mente diabólica, mas o bilhete realmente não funcionou. Minha cara queimou quando fui passar e a catraca não me liberou. Um funcionário veio e olhou o bilhete, dizendo que às vezes isso acontece e que ia buscar outro pra mim. Só que ele me olhava com aquela cara de ‘eu sei o que você fez no minuto passado’ e eu morri de vergonha, sentindo-me, realmente, uma criminosa safada.
Nunca mais compro de abulante.

(Confesso que não confio nem um pouco no Wikipedia. No entanto, busquei essa informação lá e, como eu já sabia da história e só queria confirmar, tá valendo.
Seguem a ‘Lei de Gérson’ as pessoas que gostam de levar vantagem em tudo, no sentido negativo de se aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com a ética.
A expressão originou-se em uma propaganda da década de 70, dos cigarros Vila Rica, na qual o meia armador Gérson, da seleção brasileira de futebol, era o protagonista. A propaganda dizia que a marca Vila Rica era vantajosa por ser melhor e mais barata que as outras, e Gérson dizia no final: “Você também gosta de levar vantagem em tudo, certo?”. É isso.)

Posted by DaniPassos on abril 20th, 2007 6 Comments

Mais uma do cotidiano paulistano

Ontem estava no ônibus, descendo a Brigadeiro pra encontrar com o Marido no Itaim.
Como sempre digo, quem observa o mundo se diverte mais. Primeiro, sentou-se ao meu lado um cara igualzinho ao João Francisco dos Santos, o Madame Satã. Todo de branco, com o cabelo na altura das orelhas, de unhas longas e a cara muito fechada. Fiquei lembrando do filme com o Lázaro Ramos. Paramos num ponto, ele deu de levantar e eu coloquei as pernas para o lado, para abrir passagem. Ele falou, abrindo um sorrisão enorme: ‘pode deixar, que eu sou magrelo’, com uma voz tão grossa e sem trejeitos que eu achei que era mesmo uma reencarnação do falecido transformista.
Depois entrou um rapaz, desses vendedores de bala, e começou: ‘Boa noite, meu amigo. Tenho aqui o novo Halls Ice Gum. De canela e menta, meu amigo, veja só. Na padaria custa 1 real, e aqui na minha mão, meu amigo, só 50 centavos. Dois por um real. Seja esperto, meu amigo’. Saiu distribuindo os chicletes para o povo. Aí parou no meio do ônibus e começou de novo, como se estivesse num palco, falando um texto decorado: ‘Veja só meu amigo, hoje é quarta-feira’…. nesse momento me perguntei o que teria a ver ser quarta-feira, ao que ele explicou: ‘ah, meu amigo, hoje não é quarta-feira, hoje é ZECA-feira. Você vai pra balada, vai tomar uma cerveja e dar beijinho na gatinha. E gatinha não gosta de bafo de cerveja, meu amigo. Com Halls Ice Gum você vai conquistar a gatinha, porque hoje é ZECA-feira. Hoje tem futebol, a gatinha vai ver o jogo com você. E beijinho na gatinha com Halls Ice Gum é muito mais romântico. Canela e Menta. A gatinha vai se apaixonar. Vamos lá meu amigo, dois por 1 real…’.

Cada coisa que a gente escuta…. E nessas horas não tem nenhum amigo por perto pra dividir essas pérolas. O que eu posso fazer além de rir sozinha?

Posted by DaniPassos on abril 19th, 2007 3 Comments

Blog Lembrator Tabajara


Sugestão de uso:

- imprima 365 cópias e cole os post it personalizados nas folhas da sua agenda ou;

- imprima 1 cópia e cole no monitor do seu micro ou;

- imprima algumas cópias e espalhe pela casa ou;

- seja solidário e imprima uma cópia pra cada micro do escritório e;

- faça-me feliz.

Posted by DaniPassos on abril 16th, 2007 5 Comments