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Passarinho que acompanha morcego acorda de cabeça pra baixo

Dona Rolinha é uma moçoila prafrentex, animada, de bom papo e com muitos amigos que gostam dela.
Curte uma cervejinha gelada (várias, aliás) e é bem desinibida quando o assunto é ficar chapada. Às vezes abusa e passa mal, mas dificilmente dá trabalho pra galera.
O único porém na vida social da dona Rolinha é que ela insiste em tentar acompanhar seus amigos morcegões, que sempre a atraem para o perigo dos rasantes vôos noturnos no escuro e para as “tree parties”, nas quais eles normalmente se exibem com a habilidade de ficar de cabeça pra baixo e chapados ao mesmo tempo. Pior: o marido dela é um dos morcegões. Quem mandou querer sair da mesmice pombal e se aventurar com um ser tão mais forte, experiente e vivido na arte de dormir de cabeça pra baixo?

Enfim.

Eis que ontem, durante uma dessas “tree parties” que rolava lá no ninho do casal Morcego Professor e Morcega Prefiro-Chá-Verde, e contrariando todos o prenúncios de que ia acabar se dando mal – além dos avisos expressos do Morcego Marido, que observando-a na atividade, percebeu que estava indo longe demais – dona Rolinha quis acompanhar a gang e capotou.

Uma boniteza que só vendo.

Deu PT, ficou com as quatro rodas pra cima, tão chapada que não conseguia se levantar do sofá gostoso no qual desabou. Hora passa, passa outra e nada da Roleta se recompor pra voltar pra casa. Aí, percebendo que realmente estava na hora de voltar pro ninho da Antônio Bento, a muito custo dona Rolinha se levantou, apoiou-se no Morcego Marido e foi que foi pro elevador. Junto ainda estava o Morcego Fotógrafo, amigo deles.

Respirar dentro do elevador foi terrível, coitada, e ela só se preocupava com os impulsos involuntários que vinham do estômago pra garganta a cada respiração. 7º, 6º, 5º…. ufa, ufa, ufa… 2º, 1º “abre, abre, sai, sai”, e o Marido Morcego dizendo: “calma, Rolinha. Respira!”. O Morcego Fotógrafo na mesma conversa e a Rolinha suando frio no lobby do prédio. Até que não deu mais pra engolir os impulsos e a chapada, digo, dona Rolinha, “lavou o chão”. Lavou. Sujou tudo: o chão, a parede, o espelhão bonito que enfeita o local. Foi uma cena ridícula e eram duas da manhã.

Aí um pede socorro, outro segura o cabelo da Rolinha, o Morcego Professor desce e começa a cuidar da sujeira – aquele tipo de sujeira que cada um deve dar conta da sua, mas beleza. Dona Rolinha, recuperando-se e afundando num constrangimento sem tamanho, teve vontade de chorar e lavar o chão com cândida. E só não saiu correndo porque as pernas não respondiam tão rapidamente quanto ela queria.

E a noite acabou.

FIM

Posted by DaniPassos on fevereiro 18th, 2009 4 Comments